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Estado e prefeitura foram alvos de protestos ontem

O Dia Nacional de Luta em Belém, reuniu ontem integrantes de oito centrais sindicais do Pará que exigiam respostas da Prefeitura de Belém e do Governo do Estado, alvos de diversas reivindicações ao longo do último mês. Os manifestantes exigiram respostas

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O Dia Nacional de Luta em Belém, reuniu ontem integrantes de oito centrais sindicais do Pará que exigiam respostas da Prefeitura de Belém e do Governo do Estado, alvos de diversas reivindicações ao longo do último mês. Os manifestantes exigiram respostas dos gestores municipal e estadual dentro do prazo máximo de 15 dias.

Uma comissão formada por todas as centrais sindicais foi recebida pelo Prefeito Zenaldo Coutinho e pelo Secretário Municipal de Economia, Marco Aurélio, no início da manhã, enquanto os manifestantes seguiram em passeata até a avenida Nazaré. Para além de reivindicações como a destinação de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) para educação e a redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, outros pontos foram alvo dos pronunciamentos. “Houve uma redução para o tributo do Cofins e PIS/PASEP que representa um desconto de 3% para os empresários. Em Belém, isso representa R$90 mil a mais de lucro por dia para os empresários. Então, temos condições técnicas para reduzir a passagem para R$2”, cobrou o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil no Pará (CTB-PA), Marcos Fonteles.

A integrante do movimento estudantil, Raquel Brício, criticou as ações de repressão da Guarda Municipal de Belém contra as mobilizações. “Se você disser que não há como reduzir, eu digo para que tire o dinheiro do bolso dos empresários porque transporte público é direito e virou mercadoria”, disse, ao referir-se a Zenaldo. “Também queremos denunciar a Guarda Municipal. Alguma coisa tem se que ser feita a respeito da ação que acabou na morte de uma funcionária da prefeitura”, cobrou.

Lembrando a redução de determinados impostos cobrados aos empresários de trasporte de Belém, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Martinho Souza, também fez questão de cobrar a redução da passagem, além de citar as promessas feitas por Zenaldo no período de campanha eleitoral. “Você fez a campanha dos três ‘s’ e a saúde está péssima, o saneamento nem se fale e a gente ainda é assaltado dentro dos ônibus. A prefeitura recebeu R$264 milhões do Governo Federal e vemos um secretário de saúde pedindo para sair porque não tinha dinheiro para investir em saúde”.

PREFEITURA

O prefeito prometeu criar uma comissão para avaliar as propostas apresentadas ontem. “Pelas contas que nós temos na planilha da prefeitura, nós conseguimos chegar ao congelamento, não à redução. Belém tem a segunda menor tarifa do Brasil”, posicionou-se. “O passe livre tem que ter um custeio, só para Belém, segundo o levantamento da Amub (Autarquia de Mobilidade Urbana), da ordem de R$132 milhões por ano. Hoje, não tem elementos, não tem fonte de financiamento disso”.

ESTADO

No Centro Integrado de Governo, onde já se encontravam três trios elétricos de outras manifestações que aconteciam na cidade, a comissão foi recebida pelo Secretário Especial de Proteção Social, Sérgio Leão. Os manifestantes lamentaram a ausência do Governador Simão Jatene. “Esperávamos ser recebidos pelo governador. Essa é uma pauta nacional que também vai ser entregue à Presidenta Dilma”, lembrou Marcos Fonteles, da CTB-PA. “Se o governo acha que é normal morrer criança na Santa Casa, nós não. Isso é uma desgraça!”, complementou Martinho Souza, da CUT.

No CIG, outros representantes de movimentos sociais se uniram e também foram recebidos pelo secretário. O presidente do Sindicato dos Servidores do Detran (Sindetran), Élison Oliveira, entregou uma carta ao secretário com reivindicações específicas da categoria. “O que reivindicamos são condições de trabalho, a criação do PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração), concurso público para 800 vagas em todo o Pará, adicional de risco de vida aos agentes de fiscalização, e o pleno funcionamento do atendimento até as 17h”, destacou. “Nós também questionamos a não implantação da biometria no Detran do Pará. O Pará é o único Estado que não tem isso. A biometria garante a lisura e impede a compra de CNH (Carteira Nacional de Habilitação), então, porque o Pará é o único que ainda não implementou?”, questionou.

Sem comentar de forma aprofundada as reivindicações, o secretário Sérgio Leão também se comprometeu a dar uma resposta aos problemas apontados. “É muito difícil dizer que não tenho condições de atender certas coisas se não apresento dados. A melhor maneira de se fazer essas coisas é com transparência. Cada vez mais a limitação do Estado é maior”, apontou. “Não acho que estejam pedindo nada de estranho, mas precisamos sentar em uma mesa e avaliar”.

Movimento foi pacífico ontem

A mobilização pelo ‘Dia de Luta’ em Belém levou pelo menos quatro mil pessoas às ruas da capital de acordo com estimativa da organização. Divididos em três pontos de concentração, trabalhadores das mais variadas categorias unificaram as vozes apenas por volta das 11h40 em frente ao Centro Integrado de Governo (CIG). Do alto de quatro carros som, lideranças sindicais se revezavam em críticas aos governos municipal, estadual e federal.

Conduzidos pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), comerciários, policiais civis, servidores do Departamento Estadual de Trânsito do Pará (Detran) e Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), concursados e trabalhadores da saúde saíram de São Brás rumo à Nazaré onde encontraram os trabalhadores da construção civil que caminhavam desde a sede do sindicato, na travessa 09 de Janeiro. Por último, chegou a mais volumosa marcha que partiu da sede da prefeitura.

Redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, mobilidade urbana, educação, corrupção e saúde foram outros temas debatidos. “A coletiva de ontem [anteontem] não teve a qualidade que o povo esperava. O governador não discutiu segurança pública, não discutiu as mais de 40 mortes de bebês da Santa Casa, não discutiu o trânsito, ou seja, não vimos absolutamente nenhum dos problemas do Estado serem tratados. Isso explica porque estamos nas ruas”, esbravejou Ribamar Santos presidente do Sindicato dos Trabalhadores Logistas do Comércio de Belém.

A manifestação foi acompanhada por policiais militares que não tiveram trabalho. Durante todo o percurso o que se viu foi um movimento pacífico. De São Brás, a caminhada seguiu pela avenida Magalhães Barata sem causar grandes problemas ao trânsito. Apenas uma faixa da via foi interditada para a passagem dos manifestantes que seguiam no sentido contrário ao fluxo. O comércio funcionou normalmente.

Servidores da Sema marcharam desde o Parque do Utinga chamando a atenção para a causa que preocupa o mundo, mas que nem sempre é tratada com a seriedade que merece. “O problema é que no Estado nós não temos nem 50% das cidades dotadas de sistema municipal de meio ambiente. São 47 municípios habilitados a desenvolver gestão ambiental plena. Há uma carência no desenvolvimento de políticas efetivas de combate a crimes ambientais”, afirmou Marco Carrera, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores da Gestão Ambiental do Estado do Pará (Sindiambiental).

(Diário do Pará)

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