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Hospitais públicos têm muitas reclamações

Sem que soubessem o que se passava atrás dos muros de entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, Maria Irena Oliveira e o cunhado Francisco Santos aguardavam aflitos por informações de uma paciente internada em

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Sem que soubessem o que se passava atrás dos muros de entrada do Hospital de Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, Maria Irena Oliveira e o cunhado Francisco Santos aguardavam aflitos por informações de uma paciente internada em estado grave no hospital. Sem que, segundo os familiares, nenhuma informação fosse concedida à família pelo hospital até o final da manhã de ontem.

Segundo a dona de casa Maria Irena de Oliveira, a irmã Madalena Rosa de Oliveira, de 46 anos, deu entrada no PSM ainda na última quarta-feira, porém, na quinta-feira, a família já teria enfrentado problemas no hospital. “Minha irmã está em coma e eu vim visitar ela ontem (quinta-feira) por volta de 16h30 e não tinha nenhum médico aí. Depois que apareceu um médico debochado que ainda veio me dizer que ‘essa aí se passar dessa noite (noite de quinta-feira) vai ser muita sorte dela’. Como alguém fala isso para uma pessoa que está com a irmã nesse estado?”.

“Hoje eu vim aqui de novo e não estão querendo me deixar entrar um minuto para pegar uma informação que seja. Queria saber ao menos uma notícia sobre como está a minha irmã”.
Também muito revoltado com a falta de informações sobre a esposa, Francisco Santos lembrou que Madalena foi encaminhada para o HPSM da 14 após já ter sido levada ao Hospital de Pronto-Socorro Municipal Humberto Maradei, no Guamá.
“Ela estava em casa quando começou a passar mal, sentir uma dor de cabeça muito forte. Levamos ela para o PSM do Guamá e tiraram a pressão dela que tava 21 por 11, depois tava 24 por 11. Aí disseram que ela não poderia ficar lá no Guamá e que era para ela vir pra 14. Mas no caminho, na ambulância, ela ‘apagou’ de uma vez e já chegou aqui assim”, contou.

VIA CRUCIS
Já o eletricista Jadilson Torres, 29, e a mulher dele Tâmara Torres, diretora de uma escola no município de Castanhal, passaram por uma verdadeira via crucis esta semana para conseguir uma internação para o pai dele, Edilson Sousa, 52, que tem um tumor no fígado. Vagando de hospital em hospital, desde a última terça-feira, eles só conseguiram atendimento ontem, já no final da tarde, no Pronto-Socorro do Guamá, onde finalmente o paciente foi medicado.
Eles procuraram o hospital municipal de Castanhal, onde moram, na última terça-feira (9), mas não foram atendidos. No mesmo dia vieram para Belém tentar uma internação no Hospital Barros Barreto, mas foram informados que o hospital só recebe pacientes encaminhados pela prefeitura por meio da Central de Leitos.
Eles também tentaram a Santa Casa, onde Edilson Sousa ainda chegou a ser consultado, mas não foi internado e nem medicado. Com a mesma alegação de que precisavam de um encaminhamento da prefeitura, foram aconselhados a procurar o PSM do Guamá, onde finalmente o paciente - que vinha sofrendo muitas dores, febre e já estava bastante debilitado, não conseguindo mais nem andar - finalmente foi medicado, mas ainda iria passar por exames para saber se ficaria internado.
No PSM Mário Pinotti, na 14 de Março, o motorista que se identificou somente com o prenome de Elvis, estava revoltado com a demora no atendimento na urgência. Levado para o hospital, por volta das 11h, com suspeita de fratura na clavícula depois que um pedaço de madeira caiu em cima dele, em casa, ele só conseguiu ser atendido por volta das 17h quando finalmente foi examinado e medicado.

RESPOSTA

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que a demora no atendimento de Elvis se deu “por conta do grande número de pessoas que precisaram ser atendidas pelo traumatologista que estava no plantão de hoje (ontem)”.

A Sesma também disse que quando um paciente se encontra em estado de coma, fica internado na UTI ou na sala vermelha (mini UTI) do Mário Pinotti. Nesses casos, os pacientes só podem receber visitas uma vez ao dia sendo que neste mesmo horário o visitante pode obter informações com o médico plantonista.

Em relação à conduta do médico, a Sesma disse que vai apurar a denúncia.

(Diário do Pará)

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