Desde o início das manifestações que tomaram as ruas do país, no início de junho, pelo menos 50 cidades, dentre elas 14 capitais, reduziram o preço das passagens do transporte público. Em Recife, a prefeitura anunciou que parte dos estudantes terá passe livre. O alto custo dos transportes coletivos e as deficiências na mobilidade urbana foram o mote que deram origem à série de queixas que a população apresentou diante de serviços públicos ineficientes.
Em Belém, integrantes do movimento Belém Livre definiram que o foco principal é a luta para diminuir a passagem de ônibus de R$ 2,20 para R$ 2 e discutir o passe livre para estudantes, além da garantia de um transporte público de qualidade.
A Prefeitura Municipal ainda não deu indicativo claro de que pretende atender às reivindicações e, agora, o Belém Livre convoca novamente a população para participar de um novo ato. Com o objetivo de mostrar que o movimento está vivo e merece força, o Belém Livre promove protesto amanhã, em Ananindeua. Batizado de #VoltaPraRua, a reunião que dará início à caminhada será às 15h, na Praça Matriz, ao lado da sede da prefeitura. O trajeto será definido durante a reunião e a saída está prevista para as 17h.
Emanuelle Nery, estudante e integrante do Coletivo “Vamos à Luta”, um dos que participam da mobilização, diz que a redução no número de manifestantes nos últimos protestos já era esperada. “Como muitos dos manifestantes são estudantes e dependem das famílias, era natural que houvesse essa redução durante as férias escolares. Ninguém é louco de imaginar que as pessoas vão estar massivamente na rua em julho, quando muitos viajam”, fala. Segundo Nery, em agosto, a mobilização deverá voltar com mais força. “Com certeza, em agosto haverá mais protestos. Nós vamos sugerir a criação de um calendário de mobilizações para todo o mês, inclusive chamando os alunos nas escolas”, antecipa.
Para Emanuelle, a postura da Prefeitura Municipal até aqui tem sido “desrespeitosa, intransigente e truculenta”. “Nas duas vezes que nós estivemos na Câmara dos Vereadores, fomos expulsos pela polícia e pela Guarda Municipal de forma violenta, fora os episódios na prefeitura. O Plano Plurianual (PPA) foi aprovado sem a participação popular, um absurdo. Os vereadores deveriam defender os direitos da população, mas o que a gente percebe é que eles estão defendendo apenas o interesse deles”.
PPA
O PPA definiu o plano de investimentos orçamentários de Belém para o quadriênio 2014/2017. O texto do Executivo municipal foi aprovado com 244 emendas da bancada da situação, que rejeitou outras 192, a maioria de vereadores da oposição. Muitas delas condizentes com as reivindicações da população que participou das primeiras manifestações.
Para Emanuelle, apenas a pressão popular poderá fazer com que vereadores aliados à atual gestão revejam suas posições. “A gente acha que a formação de comissões não vai resolver os problemas. Só através da participação massiva da população nas ruas nós vamos alcançar conquistas, a exemplo do que aconteceu nas outras cidades”, completa.
(Diário do Pará)
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