O atentado contra o juiz Alexandre Rizzi, vice-presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), engrossa as estatísticas da violência no Estado e demostra que todos são vítimas em potencial. Ele foi baleado em um sítio de sua propriedade, em Vigia de Nazaré, nordeste paraense, na tarde de ontem. Dois homens invadiram a propriedade e o renderam, juntamente com o caseiro do sítio, às margens de um igarapé. O juiz foi baleado nas costas.
Socorrido, ele foi levado ao hospital municipal de Vigia e, em seguida, transferido de helicóptero para o Hospital Metropolitano de Ananindeua, onde foi operado. Os bandidos, que segundo o delegado-geral de Polícia Civil, Rilmar Firmino, “procuravam armas na casa e ainda não foram identificados”, conseguiram fugir e estão sendo procurados pelos policiais.
INSEGURANÇA
Seja qual for a patente, grau de escolaridade ou classe social, a insegurança bate a porta – ou entra sem pedir licença. Este ano, 20 policiais militares foram assassinados, segundo a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar (ACSPMBM-PA).
A Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e a Associação dos Magistrados do Estado do Pará (Amepa), emitiram nota de repúdio ao que definiram como “o covarde ato de violência perpetrado contra o Juiz de Direito e Vice-Presidente da Amepa, Alexandre Rizzi”.
A nota lembra que esta é a segunda vez no Estado que uma autoridade judiciária é alvo de atentado contra a vida, “o que demonstra séria preocupação com a escalada da violência, especialmente quando atinge servidores públicos responsáveis pela aplicação das normas penais no Estado Democrático de Direito”.
INVERSÃO DE VALORES
As associações consideram ainda que “o ato material contra uma autoridade judiciária enfraquece, muito além do simbolismo do cargo, a garantia de toda a sociedade que exige segurança pública. É uma completa inversão de valores, que não pode ser admitida ou tolerada”.
A nota assinada pelo presidente da AMB, Henrique Nelson Calandra, diz ainda que a AMB e a Amepa aguardam uma investigação rigorosa dos acontecimentos pelo Governo do Estado do Pará, desde já esclarecendo que proporcionarão o apoio necessário ao associado, e bem assim tomar todas as providências para imediata punição aos envolvidos.
MEDO
“Só nos últimos 35 dias foram seis policiais militares assassinados. Hoje nós nos sentimos cabisbaixos, com medo. Prendemos o bandido, mas não demora muito ele tá solto e até hoje ninguém fez nada. Estamos com medo que continue essa onda de violência contra a segurança pública”, desabafa o presidente da associação, cabo PM Francisco Xavier.
Segundo ele, a atenção dada para policiais militares vítimas de violência e para as famílias dos militares assassinados, é mínima.
Por telefone, a assessoria de imprensa da Polícia Militar do Estado do Pará (PMPA), informou que “todo o atendimento em caso de vitimização de policial militar é prestado, tanto o atendimento psicossocial à família e ao militar, com encaminhamento para as redes de atendimento médico que o caso requer”. A PM afirmou ainda que cumpre, por meio de Inquérito Policial Militar, realizado pela Corregedoria Geral da Corporação, 100% dos casos que há vitimização de policial militar.
(Diário do Pará)
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