“Eu me sinto uma prisioneira dentro da minha própria casa”, desabafou a recepcionista Tereza Cristina Gama, 49, ao comentar que vive sob uma forte sensação de insegurança, em Belém. Trancada em sua residência, ela não esconde que tem medo de qualquer momento volte a ser vítima da violência que impera no Estado. A mulher já foi assaltada duas vezes, enquanto saía de casa para ir trabalhar. Mãe de dois filhos, diz que reza diariamente para que eles voltem para casa sãs e vivos, ilesos da crueldade e do descaso do poder público para com a Segurança da população.
Assim como esta paraense, milhares outros paraenses já passaram por uma situação desta ou temem ser o próximo alvo de bandidos que circulam livremente pelas ruas e bairros da Grande Belém. Na última quinta-feira, 11, o Sindicato dos Servidores da Polícia Civil, divulgou os dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) nos quais apontam um total de 1.980 assassinatos no Pará, entre 1 de janeiro e 8 de julho deste ano.
“Este número de mortes preocupam, claro, principalmente quem é mãe”, destacou Tereza Cristina, que considera estes dados mais uma prova de que a Segurança Pública no Estado precisa de investimentos e de políticas públicas eficazes. “Quando eu chegou em casa, a primeira coisa que faço é me trancar porque não sei quem ou que está pela rua”, desfechou. Para o estudante Sandro Henrique Miranda, 19, o elevado número de homicídios e latrocínios no Pará vão muito além das falhas no sistema de Segurança Pública. “Isto demonstra a falta de investimentos na área da Segurança e da Educação. A maioria destes crimes é cometida por jovens que se encontram que não conta com escolas públicas de qualidade, não tem emprego ou programas de incentivo ao esporte e ao lazer”, comentou.
O presidente do Sindpol, Rubens Teixeira, quando divulgou os dados do Sisp fez criticas severas ao Governo do Estado que, segundo o sindicalista, não promove políticas públicas de Segurança eficientes. Na ocasião, classificou as atuais políticas como “arcaicas e obsoletas”. “São políticas ultrapassadas que não atendem mais a necessidade da população paraense”, frisou.
(Diário do Pará)
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