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Planos de saúde negam atendimentos

Para além dos impostos já pagos pela manutenção de um sistema de saúde pública, o pagamento extra pelo serviço tido como essencial através de operadoras de planos de saúde particulares nem sempre é garantia de atendimento imediato e com qualidade. Benefic

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Para além dos impostos já pagos pela manutenção de um sistema de saúde pública, o pagamento extra pelo serviço tido como essencial através de operadoras de planos de saúde particulares nem sempre é garantia de atendimento imediato e com qualidade. Beneficiária do plano de saúde da Unimed Belém desde que se mudou para a capital paraense, a universitária Angeline Rocha lembra bem dos problemas já enfrentados.

Diante da dor e da procura pela urgência do plano de saúde, Angeline, até hoje, se surpreende com a forma como foi atendida. “No ano passado eu tive apendicite. Eu estava sentindo muita dor e procurei a urgência da Unimed e a médica que me atendeu apenas perguntou o que eu estava sentido e, sem me examinar, apenas disse que era dor de estômago”, recorda. “Mesmo eu dizendo que não era dor de estômago, a médica insistiu e me mandou tomar uma medicação. Fiquei cinco horas na Unimed sentindo dor”.

Segundo Angeline, o problema só foi resolvido quando ela mesma tomou a iniciativa. “Liguei para um amigo da família que é médico e ele foi lá comigo, me examinou e percebeu que era apendicite e ainda disse que tinha que operar com urgência para que não houvesse uma infecção maior”, aponta. “Ele ligou para um amigo dele que era cirurgião e, por conta própria, eu saí da Unimed e fui para operar em outro hospital”.

Além do problema com o diagnóstico equivocado, a universitária afirma que também é comum ter problemas com cobranças indevidas por parte da operadora do plano de saúde e com a demora no atendimento. “A minha mãe é idosa e eles aumentam o plano de saúde de onze em onze meses, antes de completar um ano. Percebo que há um grande descaso da Unimed. Outra vez tive uma crise de labirintite e precisei ir a três hospitais da Unimed diferentes para ser atendida. Sempre tinha muita gente esperando e ninguém para aplicar a medicação”, conta. “É um serviço que deveria ser público e de qualidade, mas que temos que pagar por um particular e ainda somos tratados como se fôssemos do SUS (Sistema Único de Saúde). Muitas vezes a espera é longa, tem muita gente, somos tratados com descaso”.

Diante dos problemas expostos pela beneficiária Angeline Rocha, a Unimed Belém informou, através de nota, que “já está apurando o caso e que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas”.

PROCON

De acordo com coordenador de fiscalização da Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon), Rafael Braga, as reclamações contra as operadoras de planos de saúde representam um percentual significativo do total de atendimentos realizados no órgão diariamente. “De 120 reclamações diárias que recebemos, de doze a quinze são referentes a planos de saúde. O que é bastante”, afirma, ao apontar as principais reclamações. “As principais reclamações são referentes a aumentos abusivos, o não envio dos boletos de pagamento e a consequente suspensão do plano e a falta de atendimento”.

NEGATIVAS

Em 2012, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) recebeu 75.916 reclamações de consumidores de planos de saúde, sendo que 75,7%, o correspondente a 57.509, eram referentes a negativas de cobertura. Diante do problema, a Resolução Normativa de nº 319 da ANS obriga as operadoras de plano de saúde a informar os motivos que levaram a negativa de autorização a seus beneficiários, caso solicitada. A resolução ainda reforça que a cobertura não pode ser negada em casos de urgência e emergência. “Segundo a legislação da ANS, os planos de saúde têm até 48h para informar por escrito porque o procedimento está sendo negado”, destaca Rafael Braga, ao apontar os cuidados que os consumidores devem ter ao contratar um plano de saúde. “Antes de assinar, é importante analisar todas as cláusulas e, se quiser, pode até levar uma cópia do contrato no Procon para ser analisado antes de assinar. É preciso ficar atento aos hospitais parceiros, aos médicos credenciados e, se houver algum problema com negativa de atendimento, anotar o número de protocolo, a hora e o local em que aconteceu o problema”.

(Diário do Pará)

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