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Insegurança nas férias deixa traumas

Na casa do sogro em Salinas, o empresário Eduardo Machado, 41, aproveitava a companhia dos três filhos no quarto. Era mais um feriado de carnaval em família. Enquanto a esposa estava na cozinha, cinco criminosos, três menores de idade, pularam o muro do q

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Na casa do sogro em Salinas, o empresário Eduardo Machado, 41, aproveitava a companhia dos três filhos no quarto. Era mais um feriado de carnaval em família. Enquanto a esposa estava na cozinha, cinco criminosos, três menores de idade, pularam o muro do quintal e invadiram a casa. A porta do quarto em que Eduardo estava abriu. A cena que ele visualizava estarrecido, sem saber o que fazer, era a da mulher refém com assaltantes apontando armas para seus filhos.

A situação ocorreu há dois anos, mas Eduardo lembra claramente. “Foram cinco meliantes que entraram na casa armados, à noite, por volta de 20 h. Era terça-feira de carnaval. Foi mais ou menos uma hora de terror. Renderam minha esposa, sogra, meus três filhos, cunhada, cunhado. Como eu não tinha dinheiro, porque hoje é tudo no cartão de crédito ou débito, eles ficaram mais agressivos”, lembra.

Os assaltantes colocaram o empresário no chão e chutaram duas vezes a cabeça dele. Os criminosos ainda ameaçaram arrancar com alicate as unhas da esposa. A família foi trancada dentro do banheiro enquanto eles recolhiam celulares, aparelhos eletrônicos, roupas, relógio e até alianças. “As crianças ficaram traumatizadas. No tempo tinham oito, dez e 15 anos. São dois meninos e uma menina, que é a mais nova. É muito duro você ver os bandidos apontarem uma arma para sua família e você não poder reagir. A sensação de impotência é muito forte”, conta.

Depois do ocorrido, o sogro de Eduardo colocou cerca elétrica na residência. A polícia conseguiu capturar e prender no dia seguinte quatro dos bandidos. Ainda assim, a família decidiu não voltar mais ao local. Agora, o empresário aproveita as férias de julho em casa, no residencial em que mora na capital. Nada mais de viagens. Passeios só em locais movimentados e em que Eduardo avalia como seguros. “Fico em casa no condomínio, faço churrasco com a família. Vou ao shopping. Sempre algo bem restrito”, fala o empresário. Para Eduardo, a impunidade e a audácia dos criminosos justificam a sensação de insegurança. “Hoje o bandido anda à vontade, com toda a liberdade e regalias, e nós é que estamos com a nossa liberdade reduzida. Por isso que as casas parecem mais prisões. Direitos humanos têm que ser para humanos direitos”, opina.

Bandidos atacam na cidade e balneários

Dados referentes ao balanço da“Operação Verão na Paz” de 2012 revelam que, nas férias escolares do ano passado, foram registradas 5.752 ocorrências policiais.

O número de homicídios nos 46 municípios que participaram da operação de 2012 chegou a 106, enquanto roubos e furtos representaram 1.638 e 2.907 dentro das estatísticas, respectivamente.

Na Região Metropolitana de Belém, os números disponibilizados pela Secretaria de Estado de Segurança Pública apontam que, durante as férias de julho do ano passado, Belém registrou 138 ocorrências de furtos com arrombamento. Ananindeua apresentou 61 casos e o total geral, nos cinco municípios da Região Metropolitana, foi de 226 ocorrências.

ACIDENTES

Segundo dados do Departamento de Trânsito do Estado do Pará (Detran/PA), o número de acidentes com vítimas fatais no trânsito diminuiu de 47 para 42, enquanto o número de lesões caiu de 204 para 159, no comparativo ente julho 2011/2012.

Vigie a casa e tente ajuda do Ciop 190

No total, a operação “Verão na Paz 2013” mobiliza 3.677 agentes das polícias Militar e Civil, Corpo de Bombeiros, Detran, Superintendência do Sistema Penitenciário (Susipe) e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. A operação, que começou no início do mês, deve durar até o próximo dia cinco de agosto.

Segundo o assessor de comunicação da Polícia Civil, Walrimar Santos, Salinas recebe um número maior de efetivo policial. “Salinas é sempre a principal demanda, pois recebe mais pessoas. Em Belém, é Mosqueiro e Outeiro. Quanto mais gente, mais chances de ocorrências”, explica.

A Polícia Civil estará em Mosqueiro e Salinas com a Delegacia do Meio Ambiente (Dema) para prevenir que casas noturnas, residências e carros perturbem o sossego da população com som alto. Haverá também fiscalização por parte da Delegacia de Proteção a Criança e ao Adolescente (Data) para coibir exploração sexual nos bares. Já a Divisão de Polícia administrativa (DPA) fará vistoria em estabelecimentos comerciais para fiscalizar licenças de funcionamento.

ORIENTAÇÃO

A orientação que a Polícia Civil dá a população que vai viajar é deixar alguém de confiança sempre atento a qualquer movimentação próximo e na residência. A Polícia Militar disponibilizará 2.027 policiais do reforço da capital para 94 localidades, além de atuar em 19 postos de fiscalização ativos para prevenir acidentes e crimes de trânsito.

Já a Polícia Civil intensificará o trabalho nas delegacias dos balneários mais procurados do Estado, com 142 agentes visando atender melhor à população. Em caso de situação suspeita, é necessário acionar o Centro Integrado de Operações (Ciop) pelo número 190. A PM deslocará agentes para fazer a verificação.

(Diário do Pará)

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