Ruas planas, baixo custo, população acostumada ao clima. “Como outras cidades, Belém tem potencial para utilizar bicicletas para mobilidade”, afirma a especialista em trânsito e transporte público, Patrícia Bittencourt Neves. O que se vê, contudo, são ciclistas disputando espaço com carros. As ciclofaixas e ciclovias na cidade são insuficientes e, em alguns pontos, desrespeitadas.
Todos os dias, o entregador Benedito do Socorro, 38, usa a bicicleta como meio de transporte. É nela que ele trabalha e se desloca para desenvolver as atividades do dia a dia. “Eu uso sempre. A gente roda a cidade toda”, diz. Mas não é sempre que ele tem o direito respeitado para trafegar com segurança pelas ruas de Belém. “Às vezes, só às vezes, eles respeitam”.
O ciclista acredita ainda que Belém poderia ampliar o número de espaços destinados para o tráfego de bicicletas. “Só tem aqui (avenida João Paulo II) e na Almirante Barroso. Eu sinto falta mesmo é quando a rua é de duas vias, como a Lomas”. Assim como ele, outros ciclistas querem mais conscientização, sobretudo, dos motoristas. Foi esse o pedido de um grupo de ciclistas que pedalou e ocupou uma das faixas da rua dos Mundurucus na segunda- feira (15).
MOBILIDADE
Para a professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), a rede de ciclovias tem que ser expandida. “A Lei de Mobilidade Urbana, em vigor desde abril de 2012, garante a prioridade ao pedestre, ciclista, transporte público e, por último, aos automóveis. Às vezes a população não quer (as ciclofaixas) para não ocupar a garagem, mas precisamos fazer a lei entrar em vigor”.
A questão cultural do uso do automóvel particular, segundo a especialista, precisa ser revertida. “Essa situação está insustentável. É um modelo que as cidades não suportam mais”.Proporcionar uma vida saudável e ser um transporte ecologicamente correto são algumas vantagens do uso da bicicleta, mas para que a prática seja mais comum, é preciso expandir o sistema cicloviário e educar a população. “Não está funcionando porque não é uma rede e ainda tem a falta de educação de quem estaciona na ciclofaixa e de quem faz o espaço de carga e descarga”.
Para ela, o que se precisa implantar em Belém é a rede cicloviária e não somente ciclovias. “Tem que ter continuidade na cidade toda”, considera. Ela reconhece que a implantação dos espaços em corredores de tráfego é necessária, a princípio. “É um começo. Assim fica mais fácil integrar a rede que também precisa de bicicletários para fazer a integração com o sistema de transporte público”.
Os ciclistas, segundo pesquisa feita por Neves, não veem a chuva de Belém como empecilho para pedalar. “Eles se preocupam mais com a insegurança, tanto no trânsito quanto ao que se refere a roubos”. Em nota, a Autarquia de Mobilidade Urbana de Belém (Amub) informou que “primeiramente irá interligar a malha cicloviária já existente, para, em uma segunda etapa, dotar a cidade de novas rotas”.
(Diário do Pará)
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