Após 43 dias parados, os funcionários da Companhia de Saneamento do Pará (Cosanpa) voltam a trabalhar hoje. Os serviços estão normalizados, após a vitória dos servidores que alcançaram o reajuste de 8% no salário.
A negociação foi intensa no Ministério Público do Trabalho, mas a reunião conseguiu vencer todas as pendências, ontem. O tíquete alimentação aumentou 8,1%, mas os urbanitários terão que repor 60% das horas não trabalhadas durante a greve. A adesão ao movimento foi de 70%, segundo o Sindicato dos Urbanitários do Pará e de somente 30%, segundo a Cosanpa.
De acordo com o secretário geral do Sindicato, Pedro Blois, a negociação foi uma vitória para os servidores. “Não foi tudo o que queríamos, mas foi o que deu. Se não entrássemos em um acordo agora a Justiça iria pedir um dissídio coletivo e isso não queríamos”, comenta.
Para ele a situação poderia ter se resolvido há muito tempo. “Foi uma vitória frente a intransigência e arrogância da diretoria da empresa. O presidente não soube dialogar com os trabalhadores e por isso as coisas se estenderam”, avalia.
No inicio das discussões, os urbanitários pediam 15% de reajuste, mas foram baixando a porcentagem a cada negociação. “Reduzimos para 12%, que se adequava aos índices de inflação do Estado. Foi aí que as negociações se encerraram e começamos a greve. Caímos o pedido para 9%, que era o que o Estado estava dando para todos os servidores. A Secretaria de Administração disse que o máximo que poderia fazer era 8% e para sair do impasse aceitamos”, revelou Blois.
Segundo o diretor de operações da Cosanpa e presidente em exercício, Antônio Crisóstomo, a Companhia fez o que podia. “A negociação começou em maio, depois de várias rodadas de negociação, algumas cláusulas do acordo ficaram pendentes. O pedido de reajuste foi o primeiro impasse porque até abril de 2013 a Cosanpa já tinha 81,7% da receita do ano comprometida com pagamento de funcionário. Nós não tínhamos como conceder isso. Fechamos em 8%, já que em maio já havíamos reposto as perdas salariais com 7,16%, isso foi aumentado para 8%”, explica.
Ele garante que a Companhia não gostaria que a greve durasse tanto. “Não temos interesse de que chegasse a esse ponto. A receita já estava comprometida, o Governo já disponibiliza R$6,5 milhões por mês para a Cosanpa por isso, não tínhamos como avançar mais”, completa.
(Diário do Pará)
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