Aproximadamente mil trabalhadores da limpeza pública, ligados à empresa Belém Ambiental (BA), que presta serviços para a Prefeitura Municipal de Belém (PMB), fecharam, na manhã de ontem, duas pistas da avenida Almirante Barroso, no sentido São Brás/Entroncamento, na frente da Secretaria Municipal de Saneamento (Sesan), em protesto contra o atraso dos salários. Logo após a manifestação dos garis a Sesan anunciou a rescisão do contrato com a empresa.
A Almirante Barroso ficou fechada por duas horas, das 8h30 às 10h30, quando a manifestação foi encerrada. Mas foi o suficiente para causar um imenso engarrafamento.
Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Empresas de Asseio e Conservação do Estado do Pará, José de Ribamar Ribeiro, a empresa atrasou o pagamento desde maio, quando pagou só parte dos salários e a remuneração de junho ainda não foi paga até agora.
Os trabalhadores ganham o salário mínimo (R$ 678,00) e também temiam perder o emprego. “A Sesan não pode fazer isso (cancelar o contrato) com a gente, nós elegemos o prefeito, fizemos campanha pra ele, serão mil desempregados”, afirmou Margarete dos Santos Lopes. A gari Carla Silva disse que está “juntando latinhas para pagar a minha boia”.
O protesto só foi encerrado depois de uma reunião, realizada na Sesan, com a participação de representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários das Empresas do Comércio, Indústria, Construção Civil, Locação de Veículos e de Prestação de Serviços do Município de Belém (Sintrobel), do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Asseio, Conservação, Higiene, Limpeza e Similares do Estado do Pará (Sinelpa), e do Comitê de Recuperação Judicial da Empresa B.A Meio Ambiente.
REPASSE
Segundo a administradora da BA, Eliana Cruz, que participou da reunião com o secretário, houve um acerto verbal e o secretário se comprometeu em fazer o repasse do restante do pagamento de maio até esta quinta-feira e o de junho até a quinta-feira da semana que vem. Segundo Eliana, “não é verdade” que a empresa não estaria prestando serviço a contento para a população, como estaria alegando a Sesan. “Se ainda não há domínio absoluto da coleta e limpeza da cidade é porque está faltando empenho do governo”.
Durante as duas horas que durou o protesto se formou um engarrafamento na Almirante Barroso que se estendia da avenida Doutor Freitas até as proximidades de São Brás.
A João Paulo II, para onde o trânsito foi desviado, também ficou com um grande engarrafamento. O trânsito ficou congestionado pelo menos por mais meia hora depois que os garis desocuparam a avenida por causa do grande número de veículos que ainda estavam presos no trânsito.
Belém Ambiental terá contrato rescindido
Em nota enviada pela assessoria da Sesan, o secretário municipal de Saneamento, Luiz Otávio Mota Pereira, anunciou que a empresa Belém Ambiental Meio Ambiente, que atua como prestadora de serviços, terá seu contrato rescindido. Uma nova licitação, segundo o secretário, será aberta para contratação de outra prestadora.
A Belém Ambiental afirmou que houve atraso no repasse da prefeitura, acusando a gestão de Zenaldo Coutinho de privilegiar outra empresa terceirizada que presta o mesmo serviço à população. A diária por serviço prestado, que é de R$ 360, também foi considerada muito baixa pela empresa.
Durante o protesto, Luiz Otávio recebeu seis representantes dos trabalhadores e entregou cópia dos documentos que, segundo ele, comprovam os pagamentos feitos pela prefeitura à empresa B.A Meio Ambiente. Segundo a nota, de janeiro até junho deste ano, foram pagos aproximadamente, R$ 18 milhões pelos serviços prestados na coleta de lixo domiciliar, recolhimento de entulho e limpeza de valas e canais. O secretário esclareceu que até maio todos os pagamentos foram feitos integralmente, dentro do prazo estipulado em contrato.
FATURA
Luiz Otávio disse que um acordo entre os diretores da empresa B.A e a prefeitura, definiu que a fatura de junho fosse dividida em duas parcelas. A primeira delas, com valor aproximado de R$ 2 milhões, foi paga ainda em junho, e a segunda parte já tem recursos disponíveis que somente serão pagos com a apresentação da nota fiscal referente ao serviço prestado.
O secretário informou ainda que o parcelamento foi negociado com a própria empresa, uma vez que no último mês de maio a prefeitura efetuou um pagamento não programado no valor de R$ 1,6 milhão referente ao exercício do ano passado, não quitado pela administração anterior.
Para liquidar o pagamento de julho, a Sesan aguarda a emissão da nota fiscal que, de acordo com o secretário, já foi solicitada desde ontem para a empresa. O pagamento de julho, no valor aproximado de R$ 3 milhões, será feito integralmente até a próxima quinta-feira (25), segundo promessa de Luiz Otávio.
Representantes dos trabalhadores da prestadora de serviços que participaram da reunião com a Sesan informaram que a falta de diálogo com a direção da B.A Meio Ambiente foi o grande motivador da mobilização.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar