O constante desespero de quem precisa – e não consegue – atendimento médico no Pronto-Socorro Mário Pinotti, continuou ontem à noite. Apesar das constantes denúncias do descaso, pelo visto, nada vai mudar. No final da noite de ontem, mais um caso foi flagrado pelo DIÁRIO. José Maria Amorim Tavares, 32, paciente que sofre de cálculo renal e úlcera, já veio do município de Viseu, em seguida, foi encaminhado para Bragança e por último, para o que da manicure Marinéia de Souza Maués, 25, parenta dele, definiu o PSM da 14. “Chegamos aqui e ele está passando muito mal, não tem médicos. Só tem dois. Um deles estava atendendo e um sumiu. O marido da minha prima está há mais de duas horas aguardando atendimento. Ele está quase morrendo e nada foi feito. Isso mais parece um ‘açougue’. Mas como não havia leito, o encaminharam para o Pronto-Socorro da Marambaia e de lá voltamos pra cá agora a noite”, disse.
De acordo com ela, no final da noite de ontem, vários pacientes estavam espalhados pelo corredor, em macas, sentados em cadeiras, recebendo soros sem o menor cuidado clínico. “Quem vem pra cá é tratado como bicho. As pessoas no corredor, gemendo de tanta dor, uns passando muito mal, sem qualquer atendimento médico necessário. O hospital de Viseu é muito pior aí mandam vir pra cá, como se resolvesse alguma coisa. Fiz imagens com o meu celular da precariedade daí de dentro, mas os guardas ameaçaram me tomar o aparelho”, afirmou.
Enquanto Marinéia saiu para conversar com o DIÁRIO, a esposa de José ficou como acompanhante dele. Mas após a entrevista, a manicure foi impedida por três guardas municipais de retornar para acompanhar José. Um deles chegou a empurrar e segurar as mãos dela. Segundo ela, a esposa de José teria que ir embora, pois precisava cuidar do filho pequeno do casal. Questionados, um dos guardas que impedia a entrada de Marinéia - retirou o nome do uniforme, para não se identificar.
(Diário do Pará)
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