plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 31°
cotação atual R$


home
NOTÍCIAS PARÁ

Cozinha da Santa Casa é flagrada em completo caos

A cozinha da Santa Casa de Misericórdia do Pará vive uma situação estarrecedora. Encarregado de preparar as refeições de pacientes e funcionários, o local padece de sérios problemas estruturais, de higiene e de condições de trabalho, além de estar em flag

twitter Google News

A cozinha da Santa Casa de Misericórdia do Pará vive uma situação estarrecedora. Encarregado de preparar as refeições de pacientes e funcionários, o local padece de sérios problemas estruturais, de higiene e de condições de trabalho, além de estar em flagrante desacordo com as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde.

Que fique esclarecido desde já que a cozinha não está desativada. É nela que são preparadas as refeições dos pacientes e funcionários, todos os dias. É ela que está sendo usada hoje, agora mesmo.

Desde o início da atual administração estadual, há dois anos e sete meses, não foi feita qualquer melhoria nos equipamentos ou instalações.

O portal Diário Online (DOL) conseguiu acesso ao local e produziu centenas de imagens, entre fotos e vídeos, que mostram uma situação impensável: sujeira, rachaduras e equipamentos quebrados.

As imagens desta reportagem estão à disposição das autoridades sanitárias e do Ministério Público. Também estão disponíveis para qualquer perícia ou verificação de sua autenticidade.

As cenas fotografadas e registradas em vídeo mostram descaso do poder público para com a alimentação de pacientes e funcionários, além de péssimas condições de trabalho para os profissionais do local.

Já existe uma nova cozinha. Faz parte do complexo da nova Santa Casa, já anunciada pelo governo do Estado e que deve ser inaugurada em agosto. No entanto, esta nova cozinha ainda não está em funcionamento. Faltam equipamentos e adequação a algumas normas técnicas.

A principal norma brasileira sobre o assunto é a Resolução 216 da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada em 2004. A cozinha da Santa Casa mais parece uma receita de como descumprir as regras da Anvisa.

“Fazemos a nossa parte. Mantemos os balcões limpos, caprichamos. É com muito sacrifício que conseguimos fornecer a alimentação com um mínimo de qualidade. Este mérito é da equipe que trabalha aqui. Infelizmente, a estrutura que temos hoje é muito precária”, declarou um funcionário que não quis se identificar por medo de represálias.

PRIVADAS ENTUPIDAS

Logo à entrada, um balcão com estrados de madeira deteriorada na parte de baixo. Acima, duas tomadas soltas da parede. Diversas tomadas elétricas em toda a cozinha apresentam o mesmo problema.

Adiante, cenas impressionantes: descendo-se um pequeno lance de escadas, está uma área com banheiros e vestiários. Tempos atrás, esta área era usada pelos funcionários da cozinha.

Aqui cabe uma pequena explicação: outra resolução da Anvisa, a de nº 275 (veja quadro) determina no seu item 1.10.2 que os locais de manipulação de alimentos devem ter instalações sanitárias e vestiários para os manipuladores “Independentes para cada sexo (conforme legislação específica), identificados e de uso exclusivo para manipuladores de alimentos” (grifo nosso).

A Santa Casa não obedece esta regra. Os funcionários da cozinha são obrigados a usar banheiros e vestiários de uso comum aos demais funcionários do hospital. A razão está na inacreditável área no subsolo da cozinha.

As fotos falam por si: a área é insalubre. Há sujeira por toda parte. Paredes sem revestimento. Baldes, cabos de vasoura, lixeira sem tampa e um extintor de incêndio enferrujado. Uma sinistra porta fechada a cadeado só permite imaginar o que mais pode haver ali.

Mas o pior estava por vir. Virando-se à esquerda, há dois banheiros, sem condições de uso. Em ambos, privadas entupidas. Num deles, o sanitário está coberto improvisadamente por um saco plástico. No outro, o sanitário está aberto, expondo sujeira. Nos dois banheiros há paredes quebradas, descargas sem canos, pias sem torneiras. O teto é escuro e úmido. O chão dos boxes é coberto por uma lama amarelada e ferrugem. Há poças d’água contaminada por toda parte.

É evidente que os funcionários não podem usar tais instalações. Todo este horror fica a uma pequena distância da cozinha, sem qualquer proteção ou separação. Transitar deste ambiente contaminado para a cozinha é simples como descer uma pequena escada. Nossa equipe entrou e saiu do local facilmente.

Absolutamente todas as regras da Resolução 275 da Anvisa relativas às instalações sanitárias e vestiários para pessoal da cozinha estão descumpridas.

MAIS IRREGULARIDADES

Na área da cozinha propriamente dita, mais irregularidades foram flagradas.

Na área identificada como Pré-Preparo de Carnes, há de tudo um pouco: tomadas ausentes, fiação exposta, janela quebrada. Acima de um balcão, um batente está coberto por uma substancia amarelada. Pode-se ver um ralo aberto. Abaixo dos balcões, canos de esgoto aparentes, sujos de lama.

Na parede, um avental sujo de sangue aguarda o próximo dia de trabalho.

Numa área separada, luvas velhas, usadas para lavagem de louça. Nas pias, ainda há utensílios lavados há pouco tempo.

Mais adiante, fica o local de preparo dos alimentos. Grandes fogões industriais estão cobertos de ferrugem. Há restos de alimentos estragados, caídos entre os bocais. Bem ao lado dos fogões, há poças d’água estagnada.

Há também dois caldeirões para o preparo de alimentos. Apesar de velhos e enferrujados, ainda funcionam, de acordo com depoimentos de funcionários que, evidentemente, desejam permanecer no anonimato. Um deles está com o isolamento térmico exposto. No outro, o sistema de resfriamento não funciona.

No local há um forno elétrico queimado há pelo menos seis meses. Atrás deste forno, material em desuso: bandejas de metal enferrujadas e cadeiras quebradas.

De acordo com funcionários, o forno elétrico quebrado impossibilita à cozinha servir alimentos assados, o que limita a qualidade do serviço.

Os funcionários têm que usar freezers para o armazenamento de alimentos perecíveis. A câmara frigorífica está quebrada há pelo menos quatro anos. Atualmente, serve de depósito de entulhos e lixo. As paredes estão descascadas, sujas e rachadas. Há rachaduras e buracos pelo chão e as janelas estão sujas e quebradas.

Um grande ralo no chão tem restos de alimentos e um cano exposto. Um verdadeiro banquete para baratas e ratos. A exatos quatro passos de distância do balcão de preparo de refeições, um ventilador está em estado lastimável: imundo, coberto de poeira, com fiação exposta.

REFEIÇÕES

De acordo com fontes da Santa Casa, são servidas em média 3.000 refeições por dia no hospital. São 1.800 para pacientes, 900 para funcionários e 300 para acompanhantes.

Todas as pessoas consultadas são unânimes em ressaltar a dedicação e o empenho dos funcionários da cozinha da Santa Casa. Apesar das terríveis condições de trabalho, eles conseguem fornecer as refeições e de alguma forma, por enquanto, impedem que infecções e outros problemas piores agravem ainda mais a situação do hospital.

RISCO

Na quinta-feira, dia 11, uma equipe do Diário Online esteve na Santa Casa. A equipe foi admitida no hospital e visitou o novo prédio, o refeitório, a área interditada e a UTI Neonatal. Apesar de ter acesso à UTI Neonatal, a equipe não teve autorização para visitar a cozinha.

A justificativa apresentada foi de que não seria conveniente a presença de uma equipe de reportagem na cozinha, por se tratar de local de manipulação de alimentos.

Supõe-se, embora não tenha sido informado, que a equipe de reportagem não podia entrar na cozinha porque havia risco de contaminar os alimentos.

HIGIENE

Nutricionista condena cozinha da Santa Casa

A Santa Casa de Misericórdia, vinculada à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), não cumpre medidas básicas de higiene e limpeza, quando deveria zelar pelo bom funcionamento da produção de alimentos consumidos pelos funcionários e pacientes.

Imagens gravadas no interior da maternidade mostram trabalhadores em situação de risco, consumindo alimentos manipulados em locais impróprios e usando banheiros em péssimas condições.

Foco de reclamações e ocorrências graves, como o falecimento de mais de 40 bebês no mês de junho, devido falta de acompanhamento do governo Simão Jatene, a Santa Casa é vítima do abandono.

O DOL conversou com a nutricionista Priscila Faustino, filiada ao Sindicato dos Nutricionistas de São Paulo (Sinesp), que viu as imagens, condenou a cozinha da maternidade e comentou as consequências de uma alimentação mal produzida.

"Não é apenas um tipo de doença que essas pessoas estão sujeitas a contrair. No que diz respeito à manipulação de alimentos em um espaço como este, a limpeza do local é fundamental. Em um hospital, principalmente, os trabalhadores estão sujeitos a conviver com bactérias mais nocivas e uma série de outros riscos", comentou Priscila.

Em se tratando de manipulação de alimentos, ainda segundo a nutricionista, "todo problema pode ser agravado caso o local esteja impróprio para o uso, como é o caso desta cozinha industrial. A ferrugem e os restos de alimentos que aparecem na imagem demonstram um local impróprio e que não está recebendo nenhum tipo de fiscalização pelos órgãos que administram o hospital."

(Diário do Pará)

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Notícias Pará

    Leia mais notícias de Notícias Pará. Clique aqui!