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Pacientes reclamam de problemas no atendimento

O DIÁRIO foi aos Prontos-Socorros Municipais Mário Pinotti (PSM da 14) e Humberto Maradei (PSM do Guamá), no final de semana, e constatou algumas situações de mau atendimento e falta de médicos e de medicamentos. No sábado, a paciente Raimunda Alves Salda

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O DIÁRIO foi aos Prontos-Socorros Municipais Mário Pinotti (PSM da 14) e Humberto Maradei (PSM do Guamá), no final de semana, e constatou algumas situações de mau atendimento e falta de médicos e de medicamentos. No sábado, a paciente Raimunda Alves Saldanha, 55, sentindo fortes dores de cabeça, foi ao PSM da 14 e não conseguiu ser atendida por um neurologista.

A busca por atendimento começou desde a tarde da última sexta- feira (19). “Ontem (sexta) os médicos fizeram pouco caso e não tinha neurologista”, afirmou a acompanhante Roberta Alves. Raimunda foi atendida por um clínico geral.

No dia seguinte, a cena se repetiu, segundo ela. “Tinha que ter um neuro, mas o médico não veio”, denunciou Roberta. Como as dores não passaram, na tarde de sábado, Raimunda voltou a procurar atendimento especializado no PSM da 14, sem sucesso. “Ela foi atendida por um clínico geral. Disseram que era pra procurar um posto de saúde que aqui não tinha neurologista”. Com a ajuda da amiga, a mulher caminhava rumo ao táxi com dificuldades, com uma das mãos na cabeça.

No PSM da 14 de Março, Almir Domingues Martins, 48, chegou ao local com dores no peito, vômito, diarreia e dor de cabeça. Segundo familiares, a médica se recusou a fazer o atendimento e só depois que um enfermeiro intercedeu, outro médico fez o procedimento. “Se não fosse o enfermeiro se compadecer, não teriam nos atendido”, diz a acompanhante Vera da Conceição, 38, dona de casa.

Almir procurou primeiramente socorro no PSM do Guamá, mas como o aparelho de raio-x continua quebrado, teve que ir de ônibus para o PSM da 14. “Não tinha ambulância e o raio-x tá quebrado há uns seis meses”, conta o paciente. No PSM da 14, ele passou pelo procedimento de raio-x e saiu de lá com a receita dos remédios, pois, segundo a família, não tinha a medicação no PSM da 14.

“Ele (médico) passou a medicação que a gente tem que comprar e fez o raio-x. A medicação não tem ai e a gente vai ter que comprar”, denuncia Vera. Os medicamentos pedidos na receita são “Sabutamol” e o antibiótico xarope “Voreamox”.

ACIDENTE

Na tarde de ontem, quem teve problemas para ser atendido foi José Luís Ferreira Júnior, de 49 anos. Ele sofreu um acidente na esquina da Alcindo Cacela com a rua dos Mundurucus. Estava indo até a farmácia comprar remédios para o filho quando um carro bateu nele. “Cai sobre o meu braço e é quase certeza que fraturei”.

Ele foi até o PSM do Guamá e lá lhe disseram que não havia traumatologista ou máquina de raio-x para examinar a situação. Acompanhado pela cunhada, ele reclama que não foi bem atendido. “Não disseram nada, sequer examinaram meu braço, mandaram que eu fosse direto ao PSM da 14”, explicou José, segurando o braço que estava bastante inchado e com alguns ferimentos que ainda sangravam.

Por não haver ambulância que o levasse até o PSM da 14, José Ferreira pegou um táxi e foi ao pronto-socorro, onde finalmente foi atendido.

Paciente com câncer espera por biopsia

No sábado, o DIÁRIO recebeu denúncia envolvendo o Hospital Universitário João de Barros Barreto. Familiares de Raimundo Pantoja da Silva, 42, morador do interior de Oeiras do Pará, atualmente em Belém para tratar de câncer na vesícula, fígado e pâncreas, afirmam que o paciente precisou pagar um exame de tomografia com contraste, pois o equipamento do hospital estaria quebrado.

“A família se juntou, prepararam farinha pra vender e conseguiram o dinheiro”, conta a sobrinha Shirley Pantoja Barroso, 41. Com o exame em mãos, o médico avaliou que precisava de uma biopsia para analisar a necessidade de uma cirurgia ou quimioterapia. “O que mais importa agora pra ele é fazer a biopsia. Só que essa biopsia não sai, não tem previsão. Já falaram pra fazer particular de novo, mas ele não tem condições, é pai de dez filhos pequenos e não tem os recursos”, diz a sobrinha.

Raimundo está na casa de Shirley, que trabalha e não tem como cuidar do tio da forma como gostaria. “Eu saio e fico preocupada com ele. E fico mais triste ainda por ver ele nessa situação. Ele não consegue mais andar e nem come direito. Essa noite passou mal, com calafrios, e nem conseguia dormir”, desabafa.

SEM CADASTRO

Os familiares afirmam que Raimundo ainda não está cadastrado na Central de Leitos, apesar de terem dado entrada na documentação em 3 de julho. Eles pedem que a biopsia seja realizada com urgência e querem um leito para o paciente. “A gente não sabe o que fazer. Ele fala que se for pra morrer, prefere voltar pro interior, ir pra casa e morrer perto dos filhos, do que ficar aqui, sem perspectiva de nada”.

Em nota, o Barros Barreto esclarece que vai apurar a situação do paciente e diz que não há orientação para que médicos encaminhem pacientes para procedimentos na rede particular mediante pagamento. “O que está sendo encaminhado para a rede conveniada ao Sistema Único de Saúde (SUS) são os exames de tomografia, visto que o novo tomógrafo adquirido pelo Barros Barreto, e que já se encontra no Hospital, está aguardando a conclusão das obras de adaptação da sala para sua instalação. No entanto, ressaltamos, todos os procedimentos são pagos pelo SUS”.

O hospitaldiz que encaminhará os pacientes que estão na fila para que a Central de Leitos de Belém faça o agendamento das tomografias”, diz a nota, acrescentando que a lista segue hoje para a Central. Em relação à biópsia, o Barros Barreto diz que dispõe das agulhas de biópsia hepática e de equipamento de ultrassom para a biópsia guiada e que não há necessidade de sugerir aos pacientes o atendimento particular.

“O que pode ocorrer, e em alguns casos ocorre, é de uma ou outra família não querer esperar pelo tempo médio na fila, de 20 a 30 dias, e buscarem o atendimento particular, diz nota. “No entanto, se a orientação para que isso seja feito partir de algum médico, a direção do Barros Barreto pede à família que a procure para que a situação seja apurada”.

Resposta

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informou que “não procede a denúncia sobre falta de neurologista durante o final de semana no HPSM Mario Pinotti”. A Sesma afirma ainda que na sexta-feira foram atendidos pelo especialista duas pessoas durante o dia e três durante a noite e que no sábado foram realizados oito atendimentos, sendo que no domingo, até às 13h, dois pacientes foram atendidos.

A Sesma disse ainda que “desconhece qualquer destrato de um médico para com um paciente”, mas afirma que vai investigar o caso e tomar as devidas providências. A secretaria informou ainda que, quando um paciente se sentir lesado no atendimento, deve procurar o serviço social do hospital ou até mesmo a direção.

Sobre as ambulâncias, a Sesma informou que aos veículos do PSM Humberto Maradei estão funcionando normalmente, e que “no momento em que o paciente(Almir) seria transferido para o PSM Mario Pinotti as ambulâncias estavam ocupadas e o paciente não quis esperar”.

Em relação à falta d e medicamentos, a Sesma afirmou que os antibióticos que foram prescritos para Almir não foram dados para o paciente porque estes são prioridades para pacientes que estão internados no hospital, e como ele lfoi liberado, o médico apenas receitou.

ESCALA

A Sesma também disse que a escala de médicos especialistas do Humberto Maradei estava completa no final de semana, “sendo que o único médico traumatologista que estava na escala deste domingo a tarde levará falta por não ter comparecido ao hospital já que este estava na escala”. A Sesma disse ainda que os pacientes que precisaram deste especialista foram transferidos para o PSM da 14 para receber o atendimento adequado, e “no momento que José Luís Ferreira chegou ao Humberto Maradei as ambulâncias estavam fazendo outros atendimentos, e o paciente preferiu não aguardar”.

A Sesma esclareceu que no plantão da manhã de ontem e da noite o traumatologista da escala compareceu. A Sesma informa também que o raio-x precisou passar por uma manutenção nos últimos dias e por isso não estava realizando o exame, mas os pacientes que precisaram deste atendimento foram transferidos ao Mario Pinotti onde tiveram o atendimento.

(Diário do Pará)

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