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Lazer nas praias e protesto na estrada

Uma Mosqueiro com sol firme, muita gente, mas menos barulhenta. Esse foi o cenário encontrado por quem escolheu a bucólica para se divertir na manhã de ontem. Com a proibição de estacionamento de veículos na orla da praia do Murubira, banhistas acostumado

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Uma Mosqueiro com sol firme, muita gente, mas menos barulhenta. Esse foi o cenário encontrado por quem escolheu a bucólica para se divertir na manhã de ontem. Com a proibição de estacionamento de veículos na orla da praia do Murubira, banhistas acostumados a badalar às “pancadas” de sons automotivos, precisaram se contentar com o vento e a maré que permaneceu alta durante toda a manhã. Medida do Ministério Público atendeu a um pedido dos moradores da área, mas dividiu opiniões de banhistas.

Dulcineia Diniz, 55 anos, reúne a famílias e os amigos do bairro do Guamá para um lazer nos finais de semana de julho. Para ela a badalação promovida pela juventude fez falta. “Ah a gente gosta de ver o povo animado, dançando, cantando e se divertindo. Tô achando meio triste assim”, opinou. O marido concordou. “A gente vem é atrás da ‘fusaca’ e chega aqui cadê?. Desse jeito acaba a graça”, reclamou João Roberto Diniz, 56, metalúrgico.

Acomodados em cadeiras de praia na calçada da orla, o casal não precisou disputar espaço. A batalha de ritmos como forró, funk, sertanejo universitário e o tecnobrega abriu espaço para uma roda de conversa familiar.

“Eu, particularmente, preferi assim. Afinal, a gente vem da capital em busca de tranquilidade e lazer e acabava ficando no meio do gás carbônico. Agora, há menos riscos e ficou muito mais ‘light’ ”, comentou o professora Lena Nunes, apreciando a paisagem na companhia do cunhado e da irmã.

Na praia do Paraíso, o cenário era o mesmo. Com pouca faixa de areia disponível devido à alta da maré, a criançada fez a festa na água durante toda a manhã. Com ondas calmas, era possível se divertir sem grandes riscos, mas sempre cuidado de perto.

“A água tá ótima, sem muitos riscos, mas não dá pra sair de perto. Criança é criança. O bom é que a gente aproveita também e volta à infância”, afirmou a vendedora Maíra Leite que acompanhava três sobrinhos. Wellington Keilly da Silva, 32, aproveitou a folga de uma semana para também levar a família à praia. “Trouxe meus dois filhos. Aqui (Paraíso) é melhor porque não tem esse negócio de música alta nem gente bêbada”.

MOVIMENTAÇÃO

A maior movimentação de pessoas concentrou-se mesmo nas praias do Chapéu Virado e do Farol. As amigas Ana Beatriz Costa, Clara Figueiredo e Bárbara Gomes ficaram na areia em busca do bronzeado perfeito e de uma ‘paquerada’. “De vez em quando passa um interessante. Estamos atentas ao movimento”, brincou Clara.

Aos 72 anos, Arlete Lins não queria saber de namorado, nem por isso estava menos animada. “Frequento a ilha há anos e não troco por nada. Não tomo banho, não vou pro sol, mas me divirto. Adoro ver a família e a meninada aproveitando o verão”, declarou.

PA-391 é interditada

Um protesto de moradores da comunidade Dorothy I, na estrada de Mosqueiro, deixou interditada por cerca de 40 minutos a PA- 391, estrada que dá acesso ao distrito. Os manifestantes cobravam melhorias como educação, transporte público, iluminação elétrica e a instalação de lombadas no perímetro por onde transitam muitas pessoas. Os manifestantes só liberaram a pista após a chegada da polícia, que intermediou a realização de um encontro dos moradores com um representante da agência distrital. A reunião ficou marcada para as 10 horas de hoje.

A interdição ocorreu por volta do meio dia. Os moradores impediram completamente a passagem de veículos em pleno domingo de julho. Troncos de madeiras, espuma de colchões e galhos de árvores foram colocados na barricada. Com cartazes nas mãos homens, mulheres, idosos e crianças ocuparam a via à altura do km 31. Eles exigiam a presença de um membro da agência distrital.

“Nós somos 200 famílias que pagamos impostos e não somos respeitados. Demos entrada em setembro do ano passado reivindicando uma resposta da prefeitura e nada”, reclamou a aposentada Maria Divina Santos, moradorada da comunidade há 10 anos.

Aos 76 anos, Josefina dos Santos diz que uma das mais importantes reivindicações da comunidade é a melhoria do transporte público. “Aqui quando a gente precisa pegar um ônibus, tem que gastar cinco, seis reais pra pegar uma moto e ir até o ponto que passa o ônibus porque por aqui mesmo não passa. Agora veja isso, se tem dia que a gente não tem o do pão vai ter pra gastar com moto”, queixou-se a aposentada que por lei não paga tarifa em transporte público, mas acaba desembolsando até R$12 toda vez que precisa sair de casa.

VÍTIMA

A morte do garoto Emerson da Cruz, de apenas 11 anos, há 18 dias era a maior revolta dos moradores. “Ele era um menino alegre e direito. Vinha saindo da Igreja quando foi atravessar a pista correndo e acabou atropelado. Foi horrível. Ficou perna pra um lado e corpo pro outro”, lembrou a tia do menino, Simone Lima. Eles cobram a instalação de uma lombada na área para forçar que os motoristas reduzam a velocidade.

O protesto só teve fim após a chegada da Polícia Militar e da Guarda Municipal de Belém. Após uma conversa com os policiais e de um telefonema que garantiu uma reunião na agência distrital de Mosqueiro, os moradores resolveram liberar a pista que não chegou a ficar congestionada, mas causou reclamação. “Eu entendo que eles têm razões para reclamar, mas isso não dá o direito de eles passarem por cima do meu direito como cidadão”, afirmou o autônomo Moacir Góes.

(Diário do Pará)

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