No caminho da praia, em Salinas, um acampamento chama atenção. São dezenas de sacas de latinhas. Uma família, 11 pessoas e quase 3 mil quilos de material reciclável coletado todo da praia. Para realizar o trabalho foi preciso erguer um barraco improvisado. Uma lona, alguns pedaços de madeira, colchões e rede. Esposa, filhos, genro, netos e o tucano de estimação. A família Costa sai de Marituba, Região Metropolitana de Belém, há 13 anos, nos meses de julho e dezembro rumo a Salinópolis para catar latinhas de metal e garantir uma renda extra.
Pedro Costa é o pai dessa família de lavradores que ganham dinheiro com uma roça familiar de mês em mês. “Sou lavrador, mas tenho que fazer de tudo para ganhar mais um dinheiro, só não posso roubar”, comenta.
Mas a lida não é fácil. A logística que leva eles até Salinas é desgastante e cara. “No ano passado, juntamos 3.500 quilos de latinhas, daí levamos para Ananindeua e de lá vai para São Paulo. Este ano acho que conseguimos mais. Ficamos até o dia 5 de agosto. Estamos sempre na praia, catamos de dia e nas noites de show quando começamos meia-noite e ficamos até amanhecer”, conta.
Ele trabalhou por alguns anos no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua, com coleta de material reciclado. “Vim com a equipe de lá em um verão para cá e achei que valia a pena, venho sempre com a família. Comecei comprando aí pensei porque não começar a juntar também”, disse. O mês de trabalho rende entre R$ 1.300,00 e R$ 1.500,00. “Toda a família ajuda, no final cada um ganha o seu”, revela.
Mas passar um mês longe de casa requer uma estrutura financeira que passa a ser a maior dificuldade da família Costa. “Tem que ter condições, às vezes gastamos mais do que ganhamos. No ano passado eu também vendi coco, esse ano não tive como, aqui não tem onde guardar. Há 12 anos ficávamos em um terreno maior perto da praia esse ano, não pudemos ficar lá. Perdi sem essas vendas, uns R$ 3.000,00”, acredita.
Um serviço que contribui com o meio ambiente, retirar as latinha e encaminhá-las ao processo de reciclagem. “O que queríamos é ter um local fixo com uma estrutura para fazermos isso, não somos os únicos que vem para cá nessa época fazer coleta. É sempre a mesma coisa, caça local, gasta mais, perde tempo. Não temos ajuda de ninguém”, apela o lavrador, catador, colaborador da natureza.
(Diário do Pará)
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