A disputa entre grupos rivais pelo comando da Cooperativa dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) paralisa desde o domingo, 21, o canteiro de obras para implantação da mina de Serra Pelada que será explorada em parceria com a empresa Colossus Mineração. Apesar do clima de tensão, até o final da tarde de ontem, o protesto seguia pacífico.
As informações sobre número de garimpeiros no local, contudo, eram desencontradas. A Colossus diz que são cerca de 200. A coordenação do movimento diz que os manifestantes podem chegar a 3 mil com a chegada de 200 ônibus ao local nas próximas horas. Os manifestantes chegam de várias partes do Pará e até de outros Estados.
Os ocupantes do canteiro protestam contra a decisão judicial que deu reintegração de posse da Cooperativa à diretoria anterior comandada por Valdemar Pereira Falcão. O grupo apoia o novo diretor, Vitor Albarado, eleito em julho após a destituição do conselho fiscal, que teve as contas rejeitadas. Há acusações de má aplicação dos recursos da Coomigasp.
Em Belém, o presidente eleito da cooperativa, Vitor Albarado diz que o grupo não descarta vir à capital nos próximos dias para um protesto em frente ao Tribunal de Justiça do Estado. Ele explica que a maioria dos cooperados quer a suspensão imediata da decisão judicial que deu reintegração de posse da Cooperativa aos ex-diretores.
Os protestos começaram, após a divulgação de que um juiz da comarca de Marabá tinha intenção de anular a eleição de julho e devolver o cargo ao ex-presidente, que enfrenta forte oposição. Valdemar Falcão não foi localizado para comentar os protestos.
Em nota à redação, a empresa Colossus Metais informou que o projeto está em fase final de implantação e afirma que até agora foram investidos R$ 560 milhões gerando cerca de 1, 5 mil empregos direitos e indiretos. Existem, contudo, discordâncias sobre a divisão dos lucros do projeto entre a mineradora e a cooperativa de garimpeiros. Os percentuais atuais, segundo Albarado, seriam de 25% para os garimpeiros e 75% para a empresa. “Antes eram 49% para os garimpeiros e 51% para a empresa. Do nada, isso mudou. Queremos rediscutir os percentuais, mas antes precisamos definir a questão da direção da Coomigasp. Os garimpeiros não aguentam mais essa situação atual”, diz Albarado.
No final da tarde de ontem, as informações repassadas pelos garimpeiros eram de que a ocupação causou a paralisação das obras de terraplanagem e escavações, o que pode atrasar o cronograma da obra.
Apenas o funcionamento das bombas de água, usadas na escavação do túnel, estaria mantido, já que a paralisação poderia causar acidentes.
Só PM e equipe de bombeamento chegam à mina
Os garimpeiros acampados na entrada do túnel principal do garimpo de Serra Pelada impedem a entrada para a mineração. Somente homens da Polícia Militar e a equipe de bombeamento podem passar pelo local. Os garimpeiros exigem a renegociação da porcentagem do ouro, que, segundo eles, foi renegociado a portas fechadas sem a participação e autorização deles. Até o momento não houve nenhum registro de confronto. A polícia chegou por volta de meia noite de segunda-feira (22) ao local.
Representantes da Associação de Defesa do Patrimônio dos Garimpeiros Sócios da Coomigasp – Adepag emitiram nota em que manifestam insatisfação por se sentirem enganados em um acordo feito em 2007 entre os garimpeiros e a empresa Colossus.
De acordo com a nota, ainda no dia 8 de junho de 2007, houve uma mudança no acordo, diminuindo o repasse para os garimpeiros de 49 para 25%, além da venda de uma área de 700 hectares, venda de prêmios e por fim a entrega da cooperativa para a Colossus.
A decisão de fechar a entrada do túnel do garimpo se deu em lembrança ao “Dia Nacional do Garimpeiro” comemorado no dia 21 de julho.
(Diário do Pará).
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