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Idosa toma soro sentada em cadeira

“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade

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“É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária”. (Artigo 3º do Estatuto do Idoso).

Do papel para a realidade um abismo separou Domingas Siqueira de Souza dos direitos que são garantidos por lei a todos os idosos do Brasil. Contorcendo-se de dor, ela tomava soro sentada na cadeira de uma sala do Hospital do Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, ontem de manhã.

Em seu parágrafo único, o Artigo 3º do Estatuto do Idoso diz que a garantia de prioridade compreende “atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população”.

DOR

Domingas chegou ao PSM sentindo muita dor na região abdominal, necessitando de cuidados urgentes em função de sua idade. O atendimento indigno, sobretudo para uma pessoa da idade dela revoltou os parentes que a acompanhavam, uma neta e o comerciário Elias de Souza Macedo, casado com uma sobrinha da idosa que estava indignado com a situação.

“Ela está sentindo muita dor no abdômen. Eles aplicam um sorozinho, um remedinho e mandam de volta para casa. Não existe saúde em lugar nenhum. O atendimento é péssimo, não pelos funcionários que fazem o que podem, mas pelos responsáveis. Ela está aqui porque não tem leito”, criticou Elias.

Nesse momento a entrevista foi interrompida por dois guardas municipais que chegaram agressivos e expulsaram a equipe de reportagem do DIÁRIO da sala. “Vocês da imprensa não podem trabalhar aqui, só com ordem do diretor”, disse um dos guardas apontando a porta de saída e acompanhando a equipe até fora do PSM, um espaço público.

Na sala lotada, outra senhora também tomava soro, sentada, muito pálida e aparentando estar passando mal. Noutra cadeira, uma menina de aproximadamente 10 anos, tomava aerossol.

A Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que a paciente Domingas Siqueira de Souza estava recebendo soro na sala de injetáveis do Mário Pinotti e que o procedimento foi realizado no local em que todos os pacientes tomam os medicamentos. A secretaria afirma ainda que a paciente recebeu o atendimento que um hospital com o perfil de Urgência e Emergência oferece.

Resposta

GUARDA

A Guarda Municipal de Belém reconheceu que o procedimento do guarda não foi correto e afirma que o comando da corporação não concorda com essa atitude. A GMB orienta que a denúncia sobre a conduta do guarda seja formalizada através da ouvidoria ou corregedoria, para que o fato possa ser apurado para aplicação das devidas providências.

Atendimentos em macas nos corredores

À tarde, do lado de fora dos prontos-socorros municipais (Guamá e o PSM da 14), era possível ver pacientes sendo atendidos em macas nos corredores das unidades. No PSM Mario Pinotti, a situação era mais triste porque, da calçada, quando a porta era aberta, dava para ver um idoso vestido apenas com uma frauda geriátrica deitado numa maca, sem nenhum lençol. Sobre ele, na parede, um papel escrito com letras grandes o identificava apenas como Jairo.

A dona de casa Maria Regina Ferreira Contente, se queixava que a sobrinha dela, Aline Chermont Contente, 22, estava desde o último domingo, 21, internada na Central de Tratamento Intensivo do PSM da 14 a espera de uma transferência para um hospital de referência. “A menina é renal crônica, precisa ir para um hospital que faça o tratamento de hemodiálise, mas só hoje (ontem) é que cadastraram ela na Central de Leitos”.

DEMORA

Maria disse que não recebeu nenhuma explicação que justificasse a demora para cadastrar a paciente na central. “O médico disse que se ela não for transferida o quanto antes pode morrer a qualquer momento”.

Do lado de fora do PSM, o aposentado João Rodrigues mostrava indignação ao saber que sua esposa, Maria de Luz da Silva, 58, estava sendo atendida em uma maca no corredor do hospital. “Eu queria tirá-la daqui, mas os médicos não liberaram. Tenho que procurar leito em algum outro hospital”, dizia.

A Sesma justificou que Maria não podia ser liberada ou transferida até que fosse conhecido o diagnostico dela. A paciente, segundo a Sesma, foi submetida a exames e estava sendo medicada.

Segundo a Sesma, a demora para a inscrição de Aline Chermont na Central de Leitos aconteceu porque era preciso que a paciente ficasse em observação e fosse submetida a uma avaliação médica. A transferência, segundo a Sesma, só pode ser feita depois que o quadro de saúde dela fique estável.

A secretaria reconheceu a superlotação do Mario Pinotti e atribuiu o problema à demanda dos municípios do interior. O hospital conta com 220 leitos, mas atende cerca de 500 pessoas por dia, segundo a Sesma.

(Diário do Pará)

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