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Há 33 anos, Belém recebeu João Paulo II

Quando aterrissou em terras cariocas, às 15h45 da última segunda-feira (22), Papa Francisco emocionou o Brasil católico. Ao optar por um carro mais simples e dispensar vidros laterais à janela, caiu nas graças dos fiéis que tiveram ali a primeira – e para

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Quando aterrissou em terras cariocas, às 15h45 da última segunda-feira (22), Papa Francisco emocionou o Brasil católico. Ao optar por um carro mais simples e dispensar vidros laterais à janela, caiu nas graças dos fiéis que tiveram ali a primeira – e para muitos, única - oportunidade de ficar tão próximo da maior liderança católica na terra.

Acenos, flash, algumas bênçãos em ‘sinal da cruz’. Um momento capaz de deixar qualquer seguidor catolicista comovido. A imagem serena, a fisionomia carismática e o título carregado antes do nome têm peso e fazem lembrar.

Há 33 anos, completados no último dia 08 de julho, Belém viveu a mesma ‘glória’. Era a primeira vez que um pontífice visitava o Brasil. Entre as 13 cidades percorridas em 12 dias, lá estava a capital reconhecida pela devoção a Nossa Senhora de Nazaré. Ainda ágil, aos 60 anos, o então Papa, João Paulo II, permaneceu em solo paraense por menos de 24 horas, um tempo curto, mas suficiente para ficar marcado na memória de quem presenciou um dos momentos mais importantes da visita, a realização de uma missa solene em plena via pública (que mais tarde, em homenagem ao líder morto em 2005, seria rebatizada em seu nome).

CAFEZINHO AO PAPA

Dona Maria do Carmo da Silva Ferreira estava lá. Apesar de sete vidas inteiras - a criação de todos os filhos nascidos ali naquele mesmo endereço, altos de uma farmácia localizada na esquina da travessa Mauriti - a chegada do Papa foi para ela o momento mais importante das mais de cinco décadas vividas no endereço de vista privilegiada. “Eu cheguei a sonhar que o Papa vinha a minha casa e eu servia um cafezinho pra ele. Parece brincadeira, mas é verdade, sorte que eu contei antes da visita dele porque ele veio mesmo. Ficou aqui na minha porta, só ficou devendo o café”, descontrai cheia de alegria uma das mais antigas moradoras do bairro, hoje com 82 anos.

“A casa ficou cheia, o marido arrancou parte do telhado e fez uma escada para liberar mais espaço. Era tanta gente aqui em casa que eu não consigo nem imaginar um número. Tinha de bebê a idoso de maca. Foi um dia de piquenique que vai ficar pra sempre guardado de tanta felicidade que causou”, diz passeando pelas recordações afagadas pela fotografia da época de Karol Wojtylab trazida a mão.

IMAGEM MARCANTE

A menos de 100 metros do palco montado para a missa, dona Carminha, como é mais conhecida, ouviu a homilia e viu a imensa multidão vinda de todos os cantos da cidade ser abençoada. Era final de tarde. “Até hoje a gente se pergunta. Com tanto lugar nessa cidade, ele veio parar bem aqui. Foi uma emoção muito grande que eu nunca vou esquecer. O Papa é uma pessoa de luz que transmite isso pra quem tá perto. Ele vai, mas aquela coisa boa fica”.

Visita de Papa Francisco traz emoções de volta

A vizinha de dona Maria do Carmo, dona Lili, Lina de Moraes Bentes, dois anos mais velha, emociona-se ao lembrar daquela tarde. Sentada em frente à casa conquistada a base de muito sacrifício, ela vê um cenário diferente. “Minha casa era um quartinho de madeira. Foi um tempo de muita dificuldade, bem perto da vinda dele [o Papa] ela foi dispensada do trabalho e a situação ficou difícil, mas eu não sosseguei. Disse para ela que a gente ia distribuir água para todo aquele povo que viesse aqui e foi assim. Era uma multidão que chegava aqui fraca e até chá de lima a gente ofereceu”, diz a católica paraense. “Na noite de véspera, eu não dormi. Era tudo muito simples, mas deixei tudo arrumado. Coloquei toalha na janela e abriguei, mesmo sem poder, muita gente. A casa ficou torta, a impressão era de que ia cair, mas eu não tive medo. Sabia que Deus não ia deixar e o pessoal ia chegando”, confessa dona Lili.

Na hora da missa, ao lado dos quatro filhos, a moradora se misturou à multidão e, na hora da bênção do reverendo, ergueu as mãos. “Ele acenou e eu senti que foi para mim. Vou me sentir para o resto da vida uma privilegiada por ter tido, na porta da minha casa, um papa. Com a visita do papa Francisco, a gente lembra tudo de novo, tô acompanhando tudo pela televisão e agora é esperar para poder ver de novo em 2017, quando ele prometeu voltar”, reflete.

EMOÇÃO DA FÉ

Aos 22 anos, a hoje aposentada Dulcealva Magno, 55, também se comoveu com a proximidade do papa. Jovem, ela não programou nada. Em cima da hora resolveu sair à rua para ver a passagem do Santo Padre e sentiu o aperto.

Moradora à época da travessa Antônio Baena, ela encontrou a visita ilustre na avenida Almirante Barroso e diz ter sentido a mesma emoção sentida agora nos corações dos católicos que presenciam a visita do argentino Jorge Mario Bergoglio ao Rio de Janeiro. “Subi no muro do Bosque para vê-lo melhor. A emoção foi imensa e inexplicável, eu me senti muito perto de Deus. Tinha muita gente de um lado e de outro da Almirante. Todo mundo queria ver o papa”.

(Diário do Pará)

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