Alguns ficaram por motivos alheios à sua vontade, outros ficaram para fugir do sufoco. Seja por qual motivo for, muitas pessoas decidiram curtir o último final de semana de julho em Belém mesmo, um sacrilégio, com certeza, para os que curtem o verão amazônico. Mas em vez de praia, teve gente que preferiu curtir a tranquilidade da cidade vazia e visitar os pontos turísticos e os recantos que Belém oferece sem o sufoco do trânsito e sem tanta gente para disputar espaço nas áreas de lazer.
Mas não foi esse ocaso do advogado Antônio Carlos Santos Tavares Júnior que decidiu curtir a tarde do último sábado no Portal da Amazônia, na orla de Belém. O sonho dele era viajar para Salinas, mas na última hora apareceu um trabalho extra, o carro apresentou problema e ele decidiu não arriscar uma viagem mais longa. “Meus planos foram por água abaixo. Acabei preso aqui”, lamentou o advogado que também não quis se arriscar a tomar um ônibus lotado. “Depender do transporte público é complicado”.
Mas, apesar de encontrar a orla tranquila, ele ficou sem opção para comer ou tomar uma bebida para matar o calor porque todos os bares estavam fechados. “Falta planejamento. O único atrativo aqui é a paisagem, não tem nem banheiro aberto”, criticou.
Já os amigos Suelen Ferreira, publicitária, e o autônomo Roberto Mário Júnior não tinham o que reclamar da Estação das Docas, onde decidiram curtir a tarde ensolarada de sábado.
“Decidimos ficar porque as praias estão muito cheias, com muito engarrafamento. E ainda tem o sufoco da volta”, justificou Suelen. “Eu ainda pensei em ir a um igarapé, mas um amigo meu levou quatro horas só para sair de Belém ontem [sexta-feira] e eu ainda tenho que estar cedo no trabalho na segunda-feira. Preferimos aproveitar esse momento para curtir as praças da cidade com mais tranquilidade”, afirmou Roberto.
BELÉM MARAVILHA
As duas principais praças da cidade, a da República e a Batista Campos, estavam praticamente vazias na tarde de sábado. A maioria dos frequentadores era de moradores das redondezas praticando corridas e vendedores ambulantes sem ter nada o que fazer. Nem mesmo as famosas turmas de jovens que ocupam a praça da República para se divertir apareceram por lá.
No Forte do Castelo, o professor Edson Lopes aproveitou a tranquilidade do trânsito da cidade para levar a família para passear e se divertir, longe do sufoco das praias e dos engarrafamentos das rodovias. “Decidi não ir mesmo à praia este mês, vou em agosto, quando elas ficam mais tranquilas. Este mês até para sair de Belém está um sufoco”, afirma. Ele diz que gosta de curtir Salinas e Mosqueiro, mas não nessa época. “Evito mesmo. É complicado. Já aqui em Belém fica uma maravilha”, sorriu.
(Diário do Pará)
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