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Hospital só tem especialista nos fins de semana

O Hospital Regional de Salinópolis, no nordeste paraense, em plenas férias de julho, dispõe de médico traumatologista apenas aos finais de semana e não tem tomógrafo (aparelho utilizado para o exame de tomografia). Por causa de uma queda de energia, um ap

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O Hospital Regional de Salinópolis, no nordeste paraense, em plenas férias de julho, dispõe de médico traumatologista apenas aos finais de semana e não tem tomógrafo (aparelho utilizado para o exame de tomografia). Por causa de uma queda de energia, um aparelho de raio-x foi danificado.

Na sessão de atendimento de urgência e emergência, não há leitos suficientes para atender a demanda e os pacientes são medicados numa cadeira no próprio corredor da unidade. Quem procura atendimento médico especializado durante a semana tem grandes possibilidades de não conseguir. Isto porque as consultas com os especialistas só podem ocorrer aos finais de semana, quando eles trabalham.

O hospital é de responsabilidade da Secretaria de Estado de Saúde (Sespa), que confirmou que o hospital não conta com tomógrafo, pois, segundo o órgão, o equipamento não seria necessário para unidade, porque não está no perfil de atendimento do hospital. Quando há necessidade, o paciente é encaminhado ou transferido para outro hospital.

Este foi o caso, por exemplo, do motorista Camilo Brabo, 30, que sofreu um acidente de automóvel no último sábado, 27, e foi encaminhado para o hospital regional. Lá, ele precisou fazer uma tomografia da cabeça, mas o procedimento não foi possível porque a unidade não tem o aparelho. Sem alternativas, ele foi encaminhado para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua – distante a cerca de 215 quilômetros de Salinópolis.

Na última sexta-feira, 26, o funcionário público Ednaldo Imbiriba levou a filha dele de apenas 11 anos de idade com a mão machucada e o dedo quebrado. O atendimento emergencial foi feito, mas ela teve de voltar no dia seguinte, sábado (27), para ser avaliada pelo traumatologista - especialidade que só atende aos finais de semana. “Ela foi medicada e atendida, é fato. Mas, se fosse um caso mais grave e ela precisasse da avaliação do traumatologista com mais urgência, não teria tido. Hoje ela veio só se consultar com o especialista”, desfechou Ednaldo.

DIFICULDADES

De acordo com a vice-diretora do Hospital Regional de Salinópolis, Maria Marlene, cinco clínicos gerais trabalham no hospital diariamente, sendo três durante o dia e dois à noite. “Temos clínico geral, cirurgião e obstetra todos os dias”, afirmou. “O caso é que tem dias que é muita gente para ser atendida e existe aquelas pessoas que não sabem esperar”, disse.

Ela mesma relatou que, durante a chuva que castigou a cidade semana passada, um raio caiu e queimou oito computadores e o aparelho de raio-x que estavam sendo usados no momento. “Mas nós temos um aparelho de raio-x portátil e já chamamos um técnico para avaliar o aparelho de raio-x”, garantiu Maria Marlene.

Sobre a falta de médicos traumatologistas, a vice-diretora do hospital contestou a informação de que não havia tal especialidade. “Nós temos, sim, só que só atendem aos finais de semana”, enfatizou. Segundo ela, a unidade enfrenta dificuldades para conseguir contratar um traumatologista que tenha disponibilidade de trabalhar lá durante a semana.

A pedido da reportagem, Maria Marlene apresentou as instalações do Hospital Regional de Salinópolis. Durante a visitação, foi observado que todos os setores do hospital são bem conservados. O hospital conta com 43 leitos e não há superlotação.

Mesmo assim, no corredor onde estão os consultórios, filas grandes estavam formadas. De acordo com Marlene, é assim que fica aos finais de semana, por causa das consultas agendadas com os médicos especialistas.

RESPOSTA

Em nota, a Sespa informou que o Hospital Regional de Salinópolis não é um hospital de referência em trauma e sim de urgência e emergência. Desta forma, todos os casos que chegam são atendidos pela equipe de plantão com médicos clínicos, pediatras e obstetras.

Na ocorrência de casos mais graves, estes são encaminhados para outros hospitais como o Hospital Metropolitano de Urgência.

Sobre a situação de traumatologistas e do tomógrafo, a secretaria ressaltou que os especialistas atendem em dias específicos da região com consultas marcadas e cada um deles reforça a equipe de plantão nos finais de semana das férias, quando o fluxo de atendimento aumenta no município.

(Diário do Pará)

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