Terminou em confusão a visita de Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, a Santarém, no oeste paraense. Dois jovens acabaram presos e um menor apreendido. Um inquérito foi aberto na noite da segunda-feira (29), pela Polícia Civil de Santarém, para investigar as denúncias de perturbação da ordem pública e resistência à prisão pelos jovens. Eles foram detidos durante um show em comemoração aos 85 da igreja evangélica Assembleia de Deus, realizado na orla de Santarém.
Os acusados faziam parte de uma manifestação organizada pelo Grupo Homoafetivo de Santarém (GHS), pelo coletivo Rosas de Liberdade e pela União dos Estudantes Secundaristas de Santarém, que percorreu diversas ruas da cidade pedindo a renúncia de Feliciano, convidado para participar da programação de aniversário da igreja.
Segundo informações, os manifestantes haviam concordado com a polícia que o protesto não chegaria ao local do culto, onde o pastor era o principal pregador. Mas, por volta das 21 horas, durante o discurso do deputado, um pequeno grupo pulou duas barreiras montadas pela PM e conseguiu chegar perto do palco, levantando bandeiras e criando palavras de ordem contra Feliciano.
Durante a pregação, conforme os jovens presos, o pastor fez uma pausa e pediu a retirada dos manifestantes. “Eu queria saber onde estão os policiais que estão aqui? Tem uma bandeira do movimento LGBT sendo sacudida e essas pessoas estão atrapalhando o culto. Isso é proibido pela lei! Essas pessoas podem sair daqui presas e algemadas agora!”, teria dito o pastor.
Três estudantes disseram ter sido agredidos fisicamente pelos seguranças e por policiais militares. Eles foram submetidos a exame de corpo de delito. Para eles, a ação dos seguranças da igreja e da polícia foi abusiva e violenta.
APOLOGIA
O pastor Edenilson Moura, da Assembleia de Deus, informou à imprensa que não foram contratados seguranças particulares para o evento religioso, mas havia voluntários da igreja que estavam dando apoio para manter a ordem. A igreja, segundo ele, vai acompanhar o inquérito da Polícia Civil, mas não vai proceder contra os manifestantes. Conforme a advogada do movimento Fora Feliciano – movimento nacional que pede a saída do pastor da presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados -, Juliane Fontinele, as agressões foram cometidas pelos seguranças do evento. “A segurança do local repetidamente agrediu. Num primeiro momento a polícia teria reagido de forma correta, depois com o Marco Feliciano dando o aval para que as pessoas fossem presas e saíssem de lá algemadas porque estavam cometendo crime e fazendo apologia, aí foi quando o policiamento se desequilibrou e tentou conter o que não tinha para conter”, destaca.
A advogada da Igreja Assembleia de Deus, Eyceila Menezes, disse que a polícia usou os meios necessários para contenção e que não é intenção da igreja fazer nenhum procedimento contra os jovens.
O comandante do 3º BPM, Coronel Risuenho, disse ontem à noite, por telefone, que o comando ainda não recebeu nenhuma denúncia oficial contra os policiais que teriam agido com truculência contra os manifestantes. Ele negou que os militares tenham usado spray de pimenta, uma vez que essa é uma ferramenta do Grupo Tático Operacional, que não se encontrava no local.
Coronel Risuenho esclareceu que o grupo de manifestantes conseguiu passar duas barreiras e se posicionar perto do palco onde acontecia a pregação do pastor Marco Feliciano. “No local, eles montaram uma briga e foram retirados pelos policiais”.
(DOL com informações de José Ibanês/Diário do Pará)
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