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Médicos protestam com doação de sangue

Com faixas pretas no braço, cerca de 60 profissionais da área da medicina, entre médicos, residentes e estudantes, realizaram uma ação solidária, ontem pela manhã, na Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará (Hemopa), que completa 35 anos aman

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Com faixas pretas no braço, cerca de 60 profissionais da área da medicina, entre médicos, residentes e estudantes, realizaram uma ação solidária, ontem pela manhã, na Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia do Pará (Hemopa), que completa 35 anos amanhã. Em um manifesto solidário, eles doaram sangue e se inscreveram no banco de doadores de órgãos e de medula óssea da instituição.

Em sincronia com os demais Estados do país, os médicos paraenses protestavam contra a decisão do governo federal de importar médicos estrangeiros sem revalidação do diploma e contra vetos na Lei 12.842/2013, o chamado Ato Médico, que regulamenta o exercício da medicina no país.

O médico residente e clínico José Silva diz se sentir satisfeito por poder chamar atenção para as demandas da classe e, ao mesmo, ajudar possíveis pacientes. “Nós optamos por esse ato solidário justamente porque não queremos prejudicar a população. Estamos vindo espontaneamente e, saindo daqui, iremos retornar ao atendimento normal”, explicou.

Para José, os dez vetos presidenciais à Lei 12.842/2013 contrariam as expectativas de profissionais que esperaram anos pela sua sanção. “Como todas as profissões, a medicina exige uma regulamentação que deve estar de acordo com as nossas competências. Os vetos descaracterizam o Ato Médico”, opina.

De acordo com o diretor administrativo do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), João Gouveia, o comitê nacional de mobilização das entidades médicas não é contra a MP (Medida Provisória) 621/2013, que criou o programa Mais Médicos. “Nós somos contra a importação de profissionais estrangeiros para trabalhar em nossos hospitais públicos sem que tenham provado que têm competência para isso. Por isso o Revalida é importante”, explica. De acordo com Gouveia, a decisão de fazer a ação solidária no Hemopa foi estratégica. “O Hemopa é a prova de que é possível sim oferecer um serviço público de qualidade. É um presente antecipado pelo aniversário da Fundação”, diz.

Sem chegar a um acordo quanto à questão da revalidação do diploma de médicos estrangeiros, o Conselho Federal de Medicina (CFM), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e a Associação Médica Brasileira (AMB) ingressaram com ações judiciais para tentar suspender a MP que criou o Mais Médicos.

Na última sexta-feira (26), porém, o Supremo Tribunal Federal negou pedido da AMB de cancelar a MP do Executivo que deu origem ao programa. A alegação é que não cabe ao STF definir se o Mais Médicos é, de fato, relevante e se cumpriu seu caráter de urgência.

(Diário do Pará)

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