Depois de oito meses de instabilidade, batalhas jurídicas e muitas dúvidas quanto ao futuro político do município, os eleitores de Marituba, na Região Metropolitana de Belém (RMB), voltam hoje às urnas na esperança de escolher um nome que cumpra o mandato até 2016.
Quase 65 mil eleitores são esperados nos locais de votação neste domingo de eleição extraordinária. Quatro nomes estão na disputa: Elivan Faustino, do PMDB; Adelino Bessa, do PSol, Roberto Rocha, do PR e João Batista, do PSD; cuja candidatura só foi definida na última terça-feira. O candidato da legenda era Mário Filho que concorreu na eleição de 2012, venceu com mais de 50% dos votos válidos, mas nem chegou a ser diplomado porque teve o registro cassado por não prestação de contas das eleições de 2008.
Na nova tentativa de concorrer, Mário Filho foi mais uma vez impugnado, ainda recorreu, mas no início da semana passada acabou desistindo e apresentou substituto. A demora em tomar essa decisão acabou criando uma situação inusitada. Apenas três dos quatro candidatos terão as fotos e nomes nas urnas eletrônicas.
Os eleitores do substituto, João Batista, precisarão escolher Mário Filho já que são os dados dele que estão nas urnas eletrônicas. “Não houve mais como fazer a alteração”, explica o juiz eleitoral, Raimundo Santana. Os votos dados a Filho serão automaticamente repassados ao substituto.
SEGURANÇA
Apesar das indefinições do período eleitoral, Santana diz que está tudo pronto para realizar uma eleição tranquila. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pediu apoio da Polícia Militar (PM) que se comprometeu a enviar, no mínimo, 150 homens para o município neste domingo. Além disso, duas equipes da Polícia Federal (PF) estarão nas ruas para apurar possíveis crimes eleitorais.
Para evitar tumultos, o juiz publicou também duas portarias. Uma delas proíbe a venda de bebida alcoólica no município entre as 18 horas de ontem e as 18 horas de hoje. Outra portaria estabelece multa de R$ 30 mil para partidos, candidatos e coligações que contribuírem para a obstrução da BR- 316.
Havia informações de que grupos pretendiam protestar fechando a via. Neste domingo, muitos paraenses ainda estarão voltando dos balneários, por isso a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também foi chamada para dar apoio à Justiça Eleitoral.
A votação começa no mesmo horário das eleições convencionais, às 8 horas da manhã, e serão encerradas às 17 horas. Haverá 28 locais de votação e ao todo serão 171 urnas. Outra 70 estão preparadas caso haja necessidade de substituição. Para garantir uma apuração rápida, o TRE preparou 13 pontos de transmissão dos dados que serão totalizados no próprio cartório eleitoral de Marituba.
O juiz eleitoral prevê que o resultado seja conhecido antes das 18 horas e a totalização final deve ocorrer até às 19 horas. A diplomação do eleito deve ocorrer ainda em agosto e a posse está prevista para 1º de setembro.
Embora seja uma eleição extraordinária, o voto é obrigatório. Os eleitores que não comparecerem para votar devem procurar, a partir da segunda-feira, um cartório eleitoral para apresentar a justificativa.
Fiscalização será rigorosa, diz promotor
Em Marituba, não houve propaganda no rádio e TV, por isso os candidatos apostaram nas caminhadas e no corpo a corpo. Embora os comícios tenham sido encerrados na quinta-feira, 1, até a noite de ontem ainda poderiam ser feitas caminhadas e a distribuição de material de campanha. Hoje, as maiores preocupações da Justiça Eleitoral e do Ministério Público são a boca de urna e a compra de votos.
Os candidatos estão proibidos de fornecer qualquer vantagem ao eleitor, a exemplo de passagens ou lanches para quem for votar. O promotor eleitoral, José Edvaldo Sales diz que a fiscalização será rigorosa. “Visitaremos todos os locais de votação”. Os eleitores também podem ajudar a fiscalizar. A recomendação é que, caso observem alguma irregularidade, procurem filmar ou fotografar para facilitar a comprovação.
INSTABILIDADE
Marituba está sem prefeito desde 1º de janeiro. A prefeitura foi assumida interinamente pelo presidente da Câmara Wildson Araújo (PRB) que, em maio, teve o mandato cassado sob a acusação de compra de votos. Atualmente a cidade é administrada pelo novo presidente da Câmara , Francisco Besteiro (PMDB).
O período de instabilidade no município começou com a cassação de Mário Filho que foi eleito em 2012 com mais de 50% dos votos válidos o que levou o TRE a optar pela nova eleição. De qualquer forma, o segundo colocado, Antônio Armando (PSDB), também não poderia assumir porque teve contas rejeitadas de sua gestão anterior na prefeitura do município.
A expectativa dos eleitores é de o eleito hoje não tenha problemas com a Justiça Eleitoral e possa cumprir o mandato até o fim, interrompendo os quase nove meses de incertezas .
Os candidatos

Adelino Bessa (PSol)
47 anos, administrador de empresas, casado, três filhos. Concorre ao primeiro cargo executivo e diz que se eleito irá priorizar a educação e saúde com investimentos para implantar escolas em tempo integral.

Elivan Faustino (PMDB)
45 anos, casado, engenheiro. Afirma que suas prioridades são transporte, educação e segurança. No transporte, os destaques seriam as ciclovias. Promete também implantar escolas de tempo integral.
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João Batista da Silva Santos (PSD)
Vereador, 57 anos, empresário , casado, seis filhos. Concorre pela primeira vez a um cargo executivo. Diz que vai priorizar investimento em saúde e educação e incentivo ao setor produtivo e criar o distrito industrial de Marituba.

Roberto Rocha (PR)
47 anos, administrador de empresas, casado, quatro filhos. Concorre ao primeiro cargo executivo. Se eleito afirma que fará uma auditoria nas contas do município e diz que não fará demissões para evitar mais instabilidade na cidade.
(Diário do Pará)
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