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Depois das praias, é hora das contas!

Com o final das férias escolares, o semestre reinicia e para muitas pessoas é hora de fazer os cálculos para saber se o orçamento planejado – se é que foi planejado – não extrapolou os limites e deixou a renda da família comprometida com tantas dívidas. P

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Com o final das férias escolares, o semestre reinicia e para muitas pessoas é hora de fazer os cálculos para saber se o orçamento planejado – se é que foi planejado – não extrapolou os limites e deixou a renda da família comprometida com tantas dívidas. Para quem estourou o cartão de crédito a preocupação de estar no vermelho é ainda pior, pois os juros não perdoam e os valores contidos naqueles boletos precisarão ser quitados o quanto antes.

Para os especialistas, a recomendação número 1 é verificar qual o montante que o chefe de família está devendo e em seguida reordenar o orçamento de acordo com a sua nova realidade. Em alguns casos, a melhor saída pode ser um empréstimo e, sem dúvidas, reduzir gastos.

Ao fazer os cálculos das faturas, o vigilante Juacir Brito, chegou ao resultado de que está com R$ 3.600 de dívidas para pagar a partir deste mês de agosto. Com uma renda mensal que gira em torno de R$ 900 (quatro vezes menos do que deve), ele sabe que terá de negociar algumas dívidas para não ficar com nome sujo na praça. “Eu não viajei, mas precisei comprar algumas coisas e para isso utilizei o cartão de crédito”, justificou.

Chefe de família, Juacir é o único que sustenta a casa onde mora com cinco pessoas. Questionado sobre como irá proceder, o vigilante faz cálculos e mais cálculos em busca de possibilidades. “Uma coisa é certo: Não posso comprar mais nada até outubro ou dezembro”, se conscientizou.

EDUCAÇÃO FINANCEIRA

De acordo com as recomendações da economista Patrícia Godoe, que é especialista em educação financeira, o pensamento de Juacir para sair do vermelho começou da maneira mais indicada, que é verificar quanto está devendo e analisar a renda mensal. “O primeiro passo é diagnosticar o orçamento familiar e o déficit (dívidas). Feito isso é procurar a melhor saída de como conduzir a dívida”, orientou.

Tal diagnóstico inclui ao trabalhador verificar as contas que representam o chamado “custo fixo” e separá-las das contas variáveis e de quantias reservadas a imprevistos. Custos fixos são aquelas contas que chegam todo mês, independente, de compras de produtos ou não. A maioria são serviços como são os casos das contas de água, luz, telefone, internet, aluguel e tributos como o IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano).

A economista reforça que muitas dívidas implicam na má gestão do orçamento financeiro. “As pessoas precisam pensar como empresa, se não souberem administrar o dinheiro vão à falência”, comparou.

O universitário Lucas Melo, 21, inicia o semestre com uma dívida de aproximadamente R$ 1 mil – o que está acima de sua renda de um salário mínimo (R$ 678). “Fiquei nessa condição por falta de planejamento”, reconhece. “Mas não posso me lamentar, tenho que planejar os meus gastos para o mês de agosto e setembro”, projetou.

Empréstimo bancário só se for pagar as contas mesmo

Entre os itens que pesam na planilha de Lucas estão os gastos com a faculdade, tratamento médico, cartão de crédito, telefone, internet e também a academia. “A dívida no cartão eu posso negociar e se meus cálculos estiverem certos, em outubro terei saído da inadimplência”, estima.

Patrícia Godoe observa que alguns gastos podem ser cortados e isso ajudaria ao endividado a quitar o débito. “A pessoa pode ficar sem ir malhar um mês ou dois e caminhar todos os dias. Com isso ela teria mais dinheiro para quitar a dívida e não deixaria de fazer exercícios. É uma forma de enxugar os gastos”, disse.

Um outro caminho, que precisa de cuidados, pode ser os empréstimos bancários, porém é preciso atentar para os juros e se realmente há necessidade de fazê-lo. “Se o trabalhador não tiver saldo, recorrer a uma instituição financeira é uma alternativa. O trabalhador quita toda a sua dívida e deve somente a uma entidade ao invés de várias”, observa a economista.

Neste sentido, ela reforça que para sair do vermelho, o trabalhador precisa apenas planejar com frequência.

(Diário do Pará)

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