Apesar da grande quantidade de pessoas nas ruas de Marituba, a manhã foi bastante tranquila nas escolas que recebiam os votos que definiram o novo prefeito do município.
O clima na Escola Estadual de Ensino Médio Fernando Ferrari, que comporta cerca de seis mil eleitores era ameno. Sem abrir mão do voto, a professora Déa Rebelo, de 72 anos, não demorou para registrar sua vontade na urna. “Vim logo cedo para evitar sufoco, agora é só esperar a vitória”, disse, confiante. “Eu faço questão de vir votar”.
Helena Miranda, de 62 anos, foi uma eleitora que decidiu logo no início da manhã comparecer diante das urnas para escolher o novo prefeito. “É melhor, né, a gente fica mais tranquila, livre para fazer em casa o que se precisa fazer”, justificou. “Acho que a minha expectativa é igual a da maioria, eu quero ver Marituba melhorar, o povo já sofreu muito com toda essa confusão”, declarou, referindo-se à cadeira da administração municipal que, em oito meses, teve três donos diferentes.A professora Joseni Trindade não deixou o seu aniversário de 45 anos completados ontem lhe impedir de chegar cedo para votar. “Meu presente vai ser ver a minha cidade melhorar. Independente de quem ganhar”, disse à porta da escola, vestida com uma camisa que reproduzia a bandeira de Marituba, tal e qual a que carregava nas mãos. “Pedi a Deus hoje [ontem] por esse presente, e acho que Ele vai me atender”, disse.
Assim como na Fernando Ferrari, as principais escolas da cidade viveram momentos de muita tranquilidade no dia do pleito. Não se via santinhos no chão ou eleitores com camisas de candidatos e coisas do tipo.
Mesmo sem indícios de confusão, a Escola Estadual de Ensino Médio Eduardo Lauande, no bairro Almir Gabriel, ficou com os corredores lotados ainda no início da manhã. Mesmo que a movimentação fosse grande, os eleitores nem precisavam enfrentar filas para votar. A poucos metros da sessão onde vota, a dona de casa Maricleide Teles ainda tentava se decidir. “Eu ainda estou pensando em quem eu vou votar. Eu vim logo de manhã porque tenho criança, mas ainda não defini o meu voto”.
Diferente da dona de casa, o aposentado Luiz Gonzaga Valente do Couto foi às urnas apenas registrar a decisão tomada há bastante tempo. Aos 73 anos e com dificuldade de locomoção, ele não escondia a satisfação por exercer o direito ao voto. “Mesmo com dores e com dificuldade, eu fico satisfeito de vir e poder votar”, disse. “Agora é aguardar para ver no que vai dar”.
MOVIMENTAÇÃO
A Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Juscelino Kubitschek de Oliveira mantinha os corredores quase desertos já por volta de 10h. Com a pouca movimentação e praticamente nenhuma placa informativa, a cabeleireira Raquel Santos reclamava da dificuldade para encontrar sua sessão de votação. “Tinha que ter alguém orientando. Eu, que queria vir cedo pra aproveitar o domingo, acabei perdendo um bom tempo procurando o local”, reclamava. “Eu espero que esse esforço valha a pena, que eu tenha feito uma boa escolha”.
Sem grande movimento também, por vezes, os mesários de uma sessão abrigada pela Escola Municipal de Ensino Fundamental João Milton Dantas, no bairro Novo Horizonte, ficavam apenas à espera da chegada de algum eleitor, assim como na Escola Municipal de Ensino Fundamental Emília Clara de Lima, no bairro da Pedreirinha. “Quando eu cheguei tinha apenas uma pessoa na minha frente. Vim essa hora (por volta de 11h20) já pensando em não pegar sufoco”, comentou o tecelão André Azevedo.
Durante a manhã de ontem, enquanto acontecia a eleição para prefeito de Marituba, a Seccional Urbana de Marituba não havia registrado nenhum caso de descumprimento da Lei Seca, em vigor desde as 20h do último sábado até às 20h de ontem. Ainda assim, apesar da grande quantidade de bares fechados durante a manhã pelas ruas do município, o DIÁRIO flagrou um senhor consumindo bebida alcoólica em frente a uma casa no bairro Almir Gabriel, às proximidades da Rodovia BR-316 e outro senhor com uma garrafa de cerveja no bairro da Pedreirinha.
O juiz eleitoral da 43ª Zona Eleitoral de Ananindeua, Raimundo Santana, confirmou, por volta das 11h, a calmaria observada nos colégios eleitorais enquanto atendia in loco a única ocorrência registrada até a hora do almoço.“Estamos vivendo uma eleição absolutamente tranquila. A única ocorrência que tivemos foi registrada na madrugada desse domingo, e se refere a uma entrega de alimentos realizada ontem (anteontem) à noite em um depósito da Prefeitura de Marituba utilizado para guardar insumos destinados à merenda escolar”, relatou o juiz, já saindo do depósito, na rua da Colônia, após conferir o que havia lá dentro.
“Além do que consta na nota de entrega apresentada, há muitos outros itens alimentícios, mas nada de anormal para um depósito de itens de merenda escolar. A Polícia Civil irá apurar se esse fato está ligado a uma tentativa de compra de votos que iria acontecer ou coisa do tipo, e se esse indício existir, a Polícia Federal indiciará os responsáveis. Não podemos nos precipitar e dizer agora que houve crime eleitoral, nada do que foi entregue deixou o imóvel, e não deixará agora”, disse, informando que o imóvel ficará lacrado e sob vigilânica durante a investigação. “Os alimentos serão transportados às escolas nos próximos dias, assim que for possível um transporte seguro e que garanta a entrega dos mesmos aos destinos certos”.
(Diário do Pará)
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