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Alunos estão sem aula por atraso em reformas

As aulas das Escolas da Rede Pública Estadual começaram desde a última segunda-feira. Mas alguns prédios ainda estão em reforma. Os Colégios Deodoro de Mendonça, Ulisses Guimarães, Justo Chermont e Rodrigues Pinagé estão de portas abertas apenas para os o

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As aulas das Escolas da Rede Pública Estadual começaram desde a última segunda-feira. Mas alguns prédios ainda estão em reforma. Os Colégios Deodoro de Mendonça, Ulisses Guimarães, Justo Chermont e Rodrigues Pinagé estão de portas abertas apenas para os operários. Pisos, paredes, salas, banheiros e algumas construções. Os alunos estão sem aula, pelo menos até o próximo dia 19, quando está previsto o retorno às aulas.

De fora, o vai e vem de operários pelos colégios. Seixo, cimento, tijolos, britadeiras e muito barulho. Mesmo em meio ao cenário empoeirado, as diretorias dos colégios estão funcionando para entrega de documentos e reunião de pais e mestres. Alguns funcionários comentaram que as obras estão atrasadas e por isso não acreditam que as aulas já comecem no dia previsto.

A vice-diretora da Escola Deodoro de Mendonça, Eliana Teles, garante que as aulas começam no dia planejado. “É uma reforma de grande porte, estávamos precisando dela, tem inclusive construção de blocos. A última que tivemos foi há uns três anos e foi só pintura. Mas nós vamos começar dia 19, de forma precária, mas vamos. As turmas devem ficar em um andar que está pronto, vamos unir umas turmas também. Mas eles não podem ficar sem aula”, argumenta.

MUITOS ATRASOS

Na Escola Justo Chermont, no bairro da Pedreira, o aviso estava em letras grandes. Aulas só dia 19. De fora se via, a bagunça e poeira que tomava conta do colégio há uma semana do início do segundo semestre letivo. De alguns funcionários só se ouvia “começaram em março, mas ainda está crua essa obra para o dia em que querem começar as aulas”.

Também na Pedreira, a Escola Rodrigues Pinagé é mais um dos colégios que estão passando pelas reformas. A Coordenadora Pedagógica da instituição, Ana Paula Chermont, diz que o planejamento escolar já foi alterado devido o atraso. “Já refizemos o planejamento, mas só vamos saber como a escola vai estar no dia 19, mesmo. Mas vamos começar da mesma forma que terminou no meio da obra. Os alunos saíam mais cedo, a cozinha estava quebrada não podíamos fazer a merenda”, relata.

No bairro de Batista Campos, a Escola Santa Maria de Belém, também estava parada, apenas o setor administrativo funcionava. “Estamos abertos todos os turnos, fazendo transferências, organizando o planejamento escolar. Aqui são 1.400 alunos e estamos dependendo da finalização de um bloco para poder começar dia 19. Mas a escola é grande, ainda tem muita coisa para fazer. Há 20 anos que a escola não recebia uma reforma como essa”, conta a diretora geral, Francisca Gonçalves.

Obras não terminam e aulas vão ser no barulho

A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informou que das mil escolas estaduais, 139 estão em obras de reforma ou ampliação previstas para serem concluídas entre julho e dezembro. A Secretaria garante que quase todas as unidades de ensino seguem funcionando normalmente, mesmo com a realização das obras, que atrapalham o andamento das aulas. Dessas escolas em obras, nove precisaram adiar o início do segundo semestre, com o retorno marcado para o dia 19 de agosto. A Seduc disse que o calendário será reajustado para que todos os dias letivos sejam cumpridos.

A Escola Estadual Deodoro de Mendonça passa por uma reforma geral. Iniciou em março e deve ser concluída em novembro, com investimento de cerca de aproximadamente R$ 2,5 milhões. A reforma inclui a instalação de novas redes elétrica e hidráulica, pintura, novos pisos e revestimentos.

A Escola Estadual Rodrigues Pinagé recebe um investimento de R$ 762.039,79. A Escola Ulysses Guimarães entrou em reforma no último mês de julho, orçada no valor de R$ 922 mil, tem prazo para ser concluída ainda este ano. Já a Escola Justo Chermont, que teve reforma geral iniciada em março, tem conclusão marcada para o final de outubro, com um investimento de R$ 958 mil.

Protesto por atraso de reforma em Marituba

Os estudantes, pais e professores da Escola Estadual Eduardo Lauande, no bairro Almir Gabriel, em Marituba, paralisaram as aulas ontem de manhã para protestar contra o atraso nas obras de reforma do prédio, onde estudam 1.194 alunos.

A reforma da escola, iniciada em abril, deveria ser concluída em 120 dias, ao custo de R$ 580.166,32, conforme placa afixada na entrada.

Com faixas e cartazes, os alunos denunciavam a falta de segurança e a precariedade em que se encontram estudando, com banheiros sem descarga, rachaduras nas paredes, laboratório desativado e servindo de cozinha, apesar de também não estarem recebendo a merenda escolar, falta de professores, e até fios elétricos descascados que já fizeram vítimas como o estudante Luiz Otávio Guedes Bonifácio, 18, que levou um choque em uma tomada, ontem.

Eles também denunciaram a diminuição do número de operários de 30 para três na obra, a reutilização de material usado como fios elétricos e forro de pvc e a retirada de material de construção do local.

Ontem, quando houve uma reunião com representantes da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed), já havia 10 operários na obra.

Inaugurada em 2003, a Escola Eduardo Lauande tem 508 estudantes do ensino médio, mas por meio de um convênio também abriga 586 estudantes do ensino fundamental que haviam sido remanejados para outra escola Sueli Falcão que fica próxima e onde, segundo a representante do Conselho Escolar, Nazaré Souza de Souza, as salas chegam a abrigar até 60 alunos.

DESCULPAS

O diretor da escola, Álvaro Augusto Maia da Silva, disse que as denúncias fazem “parte da estratégia do grupo que é contra. A administração da escola não consegue agradar a todos, mas tenho o apoio da maioria”. Segundo ele, a obra atrasou porque “faltou repasse de verba da Seduc para a empresa”.

A informação foi confirmada pelos representantes da Seduc, Ivonice Assunção, da Unidade da Seduc (USE) local, e pelo engenheiro responsável pela obra. Ivonice disse ainda que a merenda escolar não estava sendo entregue porque houve mudanças na coordenação, mas já estava sendo providenciado o pedido da demanda da escola.

Izete Luciana, chefe de gabinete da Semed (Secretaria Municipal de Educação de Marituba), afirmou que já está sendo providenciada a construção de uma nova escola no bairro. Marceli Machado, da Procuradoria do Município, informou que houve atraso na merenda por causa de problemas políticos que acabaram retendo o material.

No final, os técnicos acabaram confirmando a informação de que os alunos terão que conviver com as obra até o final da reforma prevista para ser concluída dentro de três a quatro meses. Se houver novo atraso, a comunidade promete fechar a br-316.

(Diário do Pará)

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