Em assembleia geral, realizada ontem, os funcionários da Santa Casa decidiram ocupar o novo hospital que o governo promete inaugurar no final deste mês. A ocupação começará com uma vigília que será realizada a partir das 18h do próximo dia 23 e deverá se estender por tempo indeterminado. O protesto é contra a privatização e contra a mudança de nome do novo hospital.
Organizada pela Associação dos Funcionários da Santa Casa, a assembleia foi realizada, às 10h, no auditório do hospital. Os funcionários também decidiram fazer panfletagens nas ruas e praças de Belém e nas redes sociais para pedir o apoio da população e dos usuários do hospital para o movimento.
O novo hospital passaria a se chamar Hospital Materno Infantil Doutor Almir Gabriel, segundo declarações do próprio governador feitas no último dia 5, mas os funcionários não aceitam a mudança do nome. “A gente até pode aceitar a homenagem, desde que seja referente somente a uma ala. A Santa Casa é a Santa Casa”, afirmou a funcionária Jureuda Guerra, que também é integrante do Conselho Regional de Psicologia e da Comissão de Funcionários da Santa Casa. “A homenagem nem é sincera” emendou o representante do Sindicato dos Médicos do Pará (Sindmepa), José Martins Miranda.
Segundo os funcionários, não é possível que um simples ato do governador mude o nome de um patrimônio público de 368 anos e que os recursos públicos que foram gastos na construção do novo hospital sejam repassados para uma OS administrar sem a realização de concurso público para contratação de novos funcionários. Eles decidiram procurar o Ministério Público e a Justiça para lutar contra essas medidas.
Os funcionários querem discutir como será feita a administração e denunciaram que já existiria até uma OS, a Idesma, escolhida para assumir o novo hospital. Eles também afirmam que não sabem sequer que setores funcionarão no novo hospital e quais seriam terceirizados. E dizem também que numa reunião que alguns servidores participaram com o governador, na última sexta-feira, ele teria tentado confundir a todos falando em terceirização e não em privatização, que seria a mesma coisa na opinião deles.
“O governador está subestimando a inteligência dos servidores da Santa Casa. Ele diz que não privatiza, mas quer mudar o nome do hospital como num conto de fadas”, criticou o presidente da Associação dos Funcionários da Santa Casa, Flavio Roberto Costa.
Segundo o diretor do Sindmepa, José Martins, se uma OS assumir a administração da Santa Casa os usuários serão prejudicados porque “o paciente tem que ser o mais barato possível”. Grávidas que precisam de internações prolongadas não seriam mais atendidas porque as OSs não querem ter despesas e “visam o lucro. Não acredito que tenham tantos filantropos no país”. Ele também questionou as terceirizações e privatizações dos serviços públicos. “Se governador reconhece que é incompetente, então vamos terceirizar também o governador”. Segundo os funcionários, só no ano passado o governo transferiu R$ 300 milhões para OSs que administram hospitais públicos no Estado. Eles também apoiam o abaixo-assinado de apoio à Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.923/98 que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra as OSs, por iniciativa da Central Única dos Trabalhadores (CUT).
ASSÉDIO
Flávio Roberto também denunciou o assédio que estaria sendo feito em cima dos funcionários pela direção da Santa Casa e que a terceirização dos serviços, como já acontece na portaria e outros setores, agora estaria chegando na farmácia. Ele disse que ontem uma funcionária, Liviane, foi transferida por apoiar o movimento e que tentaram colocar um cadeado na sala da associação para impedir a entrada dele.
RESPOSTA
Em nota à imprensa, a assessoria da Santa Casa afirmou que a direção da fundação “entende que o processo da reunião dos servidores, onde cerca de 1,4% compareceram, é importante. Tanto que cedeu o espaço para ser repassado sobre o encontro que o governador Simão Jatene, teve na última segunda-feira (05), com servidores da Instituição na Sala de Treinamento do Hospital”.
Ainda segundo a nota, “o governador fez questão de dizer que a instituição não será privatizada” e em relação ao nome do prédio, “o governador Simão Jatene comunicou que será homenageado o ex-governador e médico Almir Gabriel. A nomenclatura do novo prédio será: Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará – Hospital Materno Infantil Dr. Almir Gabriel”.
No que concerne à Associação, continua a nota, “a direção da Santa Casa reconhece a importância, inclusive, tendo entre os seus membros um dos seus diretores. A Associação é uma sociedade civil de direito privado, com finalidades sociais, culturais entre outros. A atual administração da Associação está com o seu mandato vencido, tendo encerrado sua gestão no dia 23 de junho deste ano e agora está sendo providenciada uma nova eleição”.
(Diário do Pará)
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