Uma em cada cinco crianças ou adolescentes, com idade entre 2 e 19 anos, tem o colesterol alto, segundo pesquisou a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Um dado preocupante que chama a atenção de muitos pais para que cuidem da dieta dos filhos, já que a alimentação irregular é o principal fator que contribui para o aumento do nível de gordura no sangue.
De acordo com os especialistas, o colesterol é fundamental para o funcionamento do organismo, porém em excesso pode provocar um infarto ou até um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Tais problemas podem ser evitados se a garotada mantiver uma dieta balanceada e praticar exercícios físicos desde cedo.
O estudante Rafael Calábria tinha dez anos de idade quando descobriu que estava com a taxa de colesterol alta. A mãe dele, Silvana Calábria, relata que o diagnóstico veio depois que foi descoberto que o jovem também apresentou uma taxa elevada de triglicerídeos e glicose. “O prazer dele é comer”, frisou Silvana, ao atentar que a origem dos problemas e seus controles dependem da dieta de Rafael, que hoje tem 15 anos.
O adolescentes se enquadra nas estatísticas da SBC que apontam que 20% das crianças e adolescentes têm colesterol alto, no Brasil. A cardiologista Ana Claudia Flexa de Santana confirma que os casos de dislipidemia infantil, como os especialistas chamam, tem se tornado cada vez mais comuns nos consultórios. Ela comenta que há casos de crianças com apenas 4 anos de idade já apresentam um nível elevado de gordura no sangue. “A maioria dos casos tem origem em hábitos alimentares errados”, explicou a médica, que criticou o consumo abusivo de alimentos hipercalóricos como hambúrguer, pizza, batata frita, biscoitos recheados e refrigerantes.
Ana Claudia alertou que a criança que apresenta colesterol alto corre grande risco de se tornar um adulto hipertenso ou até mesmo de sofrer um infarto, caso a gordura no sangue entupa uma artéria do coração ou um AVC, caso a obstrução seja cerebral. “Na maioria das crianças, a hipertensão não está relacionada ao colesterol alto, e sim a obesidade e sedentarismo”, ressaltou.
MEDICAMENTOS
A cardiologista também lembra que nestes pacientes a prescrição de medicamentos depende da taxa de colesterol. Se estiver acima de 210 mg/dl eles são receitados. Menor que isso é recomendado apenas uma dieta e exercícios físico. “Indicamos principalmente natação porque não tem uma idade mínima para começar a praticar”, frisou.
Rafael optou por praticar basquete e a mãe está feliz com os resultados. “Ele não toma remédios, apenas segue a dieta e pratica o esporte”, reforçou.
“No início foi difícil mudar a alimentação dele, o prato de arroz com feijão foi substituído por salada e purê de abobora. O Rafael precisava almoçar antes de todo mundo para não sentir vontade de comer o que os outros comiam”, lembra.
O café da manhã do rapaz também foi substituído. No lugar do pão com ovo que ingeria antigamente, entrou bolachas de água e sal ou torrada. “Em um mês ele perdeu 8 Kg”, lembra a mãe.
(Diário do Pará)
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