Há três anos inserida na rotina de estudos, a pesquisadora Débora Lisboa, de 31 anos, vai prestar prova para o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 8ª Região e para a Sefa em setembro. O foco da candidata é a secretaria, mas pelo fato de os certames terem muitos conteúdos em comum, ela resolveu ampliar as possibilidades de aprovação. “Ainda não me classifiquei em nenhum concurso que fiz, mas estou com boas expectativas em relação a esses dois. Embora eu não tenha tido tanto tempo de estudar desde o lançamento do edital, serão praticamente dois meses de estudos somente, acredito que eu já tenho um conhecimento acumulado ao longo dos anos. Sabia desde o início que levaria tempo, que passar de primeira não era uma realidade”, conta. E a vida social, como fica? “Não fica!”, confessa. “O número de vagas é sempre pequeno, tem que estudar muito para ser aprovado”, diz.
“O nível federal é o mais almejado pelos candidatos, sem dúvida. Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, TRT. Mas pelo fato de os conteúdos serem semelhantes, os alunos acabam se inscrevendo nos estaduais também”, explica Raphael Pinho, professor de Direito Constitucional no cursinho. “E quem passa em um, geralmente continua estudando para passar em um melhor!”, informa. “Muitos querem, mas poucos fazem por merecer. É interessante ver à noite as salas de aula. Lotadas, gente que veio do trabalho direto, não trocou nem o uniforme, e fica até dez, onze da noite, não quer nem saber. Esse é o ponto: é preciso que o aluno faça por onde. Se ele não fizer, nem o melhor cursinho do mundo aprova ele”, orienta.
AULAS
Rubens corrobora o comentário do professor e diz que dependendo do tempo que falta até a prova, as aulas acontecem todos os dias, até nos finais de semana. “Quem quer passar, tem ritmo de estudo no domingo igual ao que tem na terça-feira”.
Aos 22 anos, o estudante de Direito Ludwig Vaz vai para o seu quarto ano de “concurseiro”. “Apesar de não ter feito muitos concursos, comecei cedo para pegar experiência. Me inscrevi no TRT porque, para minha surpresa, eu gostei muito da área de Direito do Trabalho, acho que, de qualquer forma, me preparar para essa prova será mais um acúmulo de conhecimento”, analisa.
A preparação naturalmente lhe exigiu alguns sacrifícios. “Férias, saídas, mês de julho, dessas coisas eu decidi abrir mão. Prefiro fazer isso agora e curtir lá na frente, já concursado, com tranquilidade. A ideia de estudar em julho, enquanto muitos estão curtindo as férias, me fez pensar que eu já estou na frente de vários concorrentes. Isso é um baita estímulo!”, justifica. Embora seduzido pela chance de um cargo no TRT da 8ª Região, Ludwig avisa logo que esse é só o começo. “Juiz, promotor, procurador... Depois de formado eu vou tentar algo maior, com certeza”.
(Diário do Pará)
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