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Sindpol diz que mortes violentas já são 2.200

A violência que tem atingido até mesmo quem tem a função de combatê-la assusta cada vez mais a população do Pará. O DIÁRIO teve acesso a dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), onde ficam os registros de crimes feitos pelas delegacias em t

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A violência que tem atingido até mesmo quem tem a função de combatê-la assusta cada vez mais a população do Pará. O DIÁRIO teve acesso a dados do Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp), onde ficam os registros de crimes feitos pelas delegacias em todo Brasil. Os dados obtidos são referentes apenas aos casos de homicídios e latrocínios (roubo seguido de morte). As estatísticas impressionam. De janeiro a julho deste ano, segundo as informações retiradas do Sisp e analisadas pelo Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Pará (Sindpol), foram 2.098 homicídios e 102 latrocínios.

Caso essa tendência seja mantida, 2013 poderá ultrapassar 2012 em número de mortos de forma violenta no Pará. De janeiro a dezembro do ano passado, foram 3.703. Os dados registrados até o final de julho (números de agosto ainda não estavam no sistema) equivalem a 59% do total de registros do ano passado.

Chama a atenção nas estatísticas o fato de que neste ano, conforme consta do Sistema Integrado de Segurança, 323 casos de homicídios não tiveram inquéritos policiais abertos. O mesmo ocorreu com 17 casos de latrocínio.

Os dados do Sisp provocam desentendimentos entre Governo e entidades que representam os policiais. Para o Sindpol, os dados não poderiam ser mais claros. Mostram que há um número alto de homicídios. O presidente do Sindicato diz que esse avanço na violência não chega a surpreender em um estado que tem um déficit no efetivo de policiais e onde delegacias dos bairros periféricos não têm delegados e escrivães em plantões noturnos.

Para o Sindpol, o Pará precisaria de pelo menos 3,8 mil policiais para garantir um atendimento mínimo à população, mas hoje seriam em torno de 2,4 mil e, até o final deste ano, o número deve ficar ainda menor, já que muitos policiais devem se aposentar ainda neste ano. “O governo precisa fazer concurso pra lotar policiais em todas delegacias, investir em equipamentos e desenvolver políticas atualizadas de segurança”, defende Teixeira.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (Segup) informou, por meio de nota enviada à redação, que os números de homicídios divulgados pelo Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindipol) divergem dos números oficias do Sistema de Segurança Pública.

Segundo a nota, “a metodologia da Segup consiste na coleta de dados do Sistema de Informações de Segurança Pública (Sisp) e seu processamento (análise e interpretação) para transformação em conhecimento”. “Existe um importante trabalho de análise criminal, em que todos os boletins de ocorrência, que contenham os casos de morte, são lidos e analisados. São excluídas as inconsistências e duplicidades de registros. O Sisp, portanto, contem dados e não conhecimento”. Para o Sindpol, os dados divulgados pelo governo “são maquiados” e tentam camuflar o real tamanho da violência no Estado.

A Segup informou ainda que nos próximos dias deve divulgar os dados oficias dos principais crimes ocorridos no Pará, entre eles homicídios e latrocínios.

Sobre a denúncia de que há 340 casos de homicídios e latrocínios sem abertura de inquérito, ou seja que não estão sendo investigados, o delgado geral, Rilmar Firmino, informou por meio da assessoria de imprensa que “os casos de crimes contra a vida, que englobam desde mortes sem causa definida, suicídios, latrocínios, entre outras mortes violentas, é a imediata instauração de inquérito policial visando iniciar a investigação criminal”. O delegado garantiu ainda que “todos as mortes violentas, têm inquérito policial aberto pela Polícia Civil, para que sejam tomadas as providências necessárias, a apuração das causas e circunstâncias que levaram à morte”.

Para a direção da Polícia Civil, diz a nota, não há crime contra a vida sem inquérito instaurado, contraindo dados do próprio sistema integrado de segurança.

(Diário do Pará)

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