As duas praças mais visitadas da capital paraense aos finais de semana, Batista Campos e República, nem de longe tinham neste domingo o público usual. O Dia dos Pais parece ter esvaziado os calçadões, mas ao mesmo tempo, o que não faltavam eram cenas típicas da convivência entre pais e filhos nas duas.
O professor Rodrigo Kauka, de 35 anos, mora na Bahia, mas o filhote Iberê, de três anos, é produção genuinamente paraense, segundo o pai. Os dois andavam de mãos dadas pela Praça da República conferindo a movimentação, programa certo quando estão em Belém. “Vir à Praça no domingo de manhã é certo, a gente sempre vem. Depois daqui vai ter um almoço legal, mas antes eu quis trazê-lo para passear e assistir o teatrinho que já vai começar lá no anfiteatro”, explicou, já se despedindo com Iberê rumo à programação.
Mais movimentada, a Praça Batista Campos estava visivelmente no clima da data: as demonstrações de carinho entre pais e filhos, as brincadeiras e gracejos, estava tudo lá. O garçom Ivan Rocha, de 32 anos, acompanhava de pertinho a brincadeira da filha, Yasmim, de sete anos, que resolveu dividir seu saco de pipocas com os peixes de um dos laguinhos da praça. “Hoje é um dia especial, ela me disse que na escola falaram muito sobre isso, que o pai é muito importante. Dia dos Pais, para mim, é todo dia, mas acho legal comemorar. ”, declarou ele.
EMOÇÃO
Luís Felipe, de quatro anos, começou o dia dizendo para o comerciante Antônio Afonso, de 51 anos, que ontem não tinha coisa de avô, era pai mesmo. “Não tem coisa melhor na vida que isso, do que família. Ouvir isso é incrível”, comentou, emocionado, olhando para o garoto. “Minha filha não mora muito perto de mim, então quando ela está no Centro, eu e o Luís fazemos muitas coisas juntos, somos muito ligados”, afirmou.
Sentado em um dos bancos, o empresário Alfredo Brito, de 50 anos, tinha uma das mãos segurando o jornal do dia e a outra pousada sob um dos ombros do pai, Eurico Brito, de 89 anos. A Praça da República já era o segundo destino do dia da dupla, que esteve mais cedo na Orla de Belém/Portal da Amazônia. “Ele sofre do Mal de Alzheimer, mas eu sinto a necessidade dele de sair de casa, então gosto de levá-lo para sair, principalmente onde ele possa ver água, rios, peixes, barcos, que remetem à origem dele e à minha também, que é o interior do Estado”, contou ele, que foi criado no município de Chaves.
“Daqui nós vamos almoçar com os meus filhos, mas primeiro vem ele, meu pai. Então eu fiz o que eu faço todos os dias: acordei cedo, fui à casa dele, dei banho nele, e resolvi trazê-lo para a rua. Ele é o meu ídolo”, derreteu-se, com a voz embargada. “Tenho sorte de ainda tê-lo do meu lado, o Dia dos Pais é cada vez mais especial. Sou louco por ele”.
(Diário do Pará)
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