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Indústria qualifica presos no Pará

Os debates acerca da necessidade e importância da reintegração para os detentos na sociedade começam a ser revistos como uma maneira de ajudar na recuperação de todo um sistema. Pelo menos é o que apostam os Ministérios da Educação e da Justiça com a impl

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Os debates acerca da necessidade e importância da reintegração para os detentos na sociedade começam a ser revistos como uma maneira de ajudar na recuperação de todo um sistema. Pelo menos é o que apostam os Ministérios da Educação e da Justiça com a implantação do acordo de cooperação técnica para abrir vagas do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) para presos. Segundo o MEC, a iniciativa vai contar com investimento de R$ 180 milhões para todo o Brasil e a meta é abrir 90 mil vagas até o ano que vem, das quais 35 mil em 2013.

Nova chance

No Pará, desde o mês de agosto, 146 detentos dos regimes aberto e semiaberto, assim como egressos do Sistema Penal do Estado do Pará, começam a receber qualificação profissional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai/Pa). A longo prazo, a ação vai promover a ressocialização dos presos e formar mão de obra qualificada para as indústrias.

"Além de oferecer uma boa qualificação para esses novos alunos, sabemos da nossa imensa responsabilidade que é estar contribuindo para a ressocialização desses detentos, de maioria jovem. Temos um material humano preparado para corresponder com mais esse desafio", comenta José Almeida, interlocutor do Pronatec no Centro de Desenvolvimento da Amazônia (Cedam), uma das unidades do Senai em Belém.

A nova oportunidade é encarada com entusiasmo por detentos como Mauro, preso junto com um irmão, acusado de participação em roubo de carga de gado de uma fazenda da região oeste do Estado. Mauro está detido no presídio da cidade de Altamira e participa das aulas de mecânica de motocicletas. "Quando eu sair daqui, em dois anos, vou montar uma oficina de motos para trabalhar nessa área, estou gostando dos cursos e quero me especializar!", enfatiza.

Os Cursos

Nas turmas abertas este ano, 558 vagas serão nos presídios paraenses e contemplam detentos na Região Metropolitana de Belém, Altamira, Marabá e Paragominas.

Divulgação Susipe

>> Detentos recebem aulas teóricas e práticas de mecânica de motocicletas em vários presídios do Estado. Foto: Divulgação Susipe.

De acordo com o Senai, o cronograma de atividades contabiliza a realização de sete cursos de qualificação: mecânica de motocicletas, armador de ferragem, eletricista instalador predial, costureiro industrial do vestuário, mestre de obras, operador de computador e confeccionador de lingerie e moda praia.

A iniciativa também promete aos formados o encaminhamento dos detentos para indústrias dos mais diversos setores, de acordo com as demandas, por meio de convênio com a Superintendência do Sistema Penitenciário do Estado do Pará (Susipe). Para Paulo César Alves, diretor do Centro de Recuperação Regional de Altamira (CRRALT), a qualificação profissional ajuda não só o interno, mas também colabora com o trabalho realizado dentro dos presídios.

"O interesse está sendo grande por parte dos internos, justamente por entender que o trabalho também tem a finalidade educativa, servindo ainda como processo natural de resgate da dignidade humana com conquista de valores sociais e naturais. O trabalho é um dos mais importantes fatores no processo de ressocialização", avalia.

Para incentivar a presença nas aulas, os detentos também recebem um auxílio-transporte de até R$ 9,00 por dia (para aqueles que se deslocam para a instituição de ensino) ou ganham a possibilidade de obter a redução da pena por estudo (a cada 12 horas de aulas assistidas, abate-se um dia de pena, conforme dispõe a Lei de Execução Penal - LEP).

(Kleberson Santos e Diana Verbicaro/DOL)

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