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Audiência debaterá problemas na Cremação

Segurança, saneamento básico e as constantes enchentes deverão encabeçar a pauta de reivindicações feitas pela população durante a audiência pública realizada pelo Ministério Público do Estado no próximo dia 17, sábado, a partir das 8h, no Centro Comunitá

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Segurança, saneamento básico e as constantes enchentes deverão encabeçar a pauta de reivindicações feitas pela população durante a audiência pública realizada pelo Ministério Público do Estado no próximo dia 17, sábado, a partir das 8h, no Centro Comunitário da Paróquia de Santo Antônio de Lisboa (Centrão), no bairro da Cremação. O encontro é uma demanda dos moradores do próprio bairro, cheio de contrastes sociais óbvios especialmente nas condições de moradia observadas entre uma rua e outra, que oferece do arranha-céu ao barraco sem água encanada, e vai discutir também problemas envolvendo a invasão “Ilha Bela”, no final da rua São Miguel, palco de assaltos constantes e de consumo e tráfico de drogas.

Apesar de não ser morador da área, Paulo Henrique, por trabalhar há alguns anos como prestador de serviços gerais no Centro Comunitário, em frente à “Ilha Bela”, sabe bem em que pé estão as coisas. Ele garante que segurança será um assunto constante durante a reunião. “Aqui virou área de ‘distribuição’ de material roubado, os ladrões assaltam e depois vêm para essa invasão distribuir os objetos”, relatou. “A violência aqui chegou a tal ponto que nossas missas, antes sempre lotadas, recebem cada vez menos gente. A única que enche é a de domingo, 6h30 da manhã, e mesmo assim nós já prestamos socorro mais de uma vez a idosos que foram assaltados chegando ou saindo daqui”, lamentou.

Dentre os episódios mais tristes que já presenciou, Paulo Henrique lembrou de uma aula de catequese em uma manhã de domingo que precisou ser interrompida por causa de um assalto que ocorreu próximo do Centrão. “Estávamos cheios de crianças aqui, as portas do Centro estavam abertas, já que a catequese termina com missa. Houve um assalto na Trav. Pe. Eutíquio e o ladrão veio correndo para cá para a São Miguel trocando tiros com os policiais, passou aqui na frente atirando. Prenderam ele praticamente aqui dentro”, recordou.

Uma equipe do MPE esteve no Centro Comunitário na tarde de ontem (12) para verificar a infraestrutura disponível para a audiência. A assistente social Arlena Freitas adiantou que a Promotora de Justiça de Defesa do Cidadão e da Comunidade, Ângela Maria Balieiro Queiroz, presidirá o encontro, e que todas as autoridades ligadas ao Ministério Público e também aos poderes Legislativo e Executivo foram convidadas a participar da reunião no sábado. “A intenção é ouvir a população sobre as necessidades do bairro e com essas informações em mãos rever de que forma as políticas públicas são aplicadas em prol da resolução desses problemas”, resumiu. A assistente social reforçou que a audiência é uma demanda da comunidade e que que haja o máximo de pessoas presentes a fim de discutir melhorias para a Cremação.

Bem em frente ao Centro Comunitário, Fábio Santos mantém uma venda de açaí há vários anos – a família dele reside no imóvel há mais de duas décadas. Ele admitiu que não tem o menor interesse em participar da audiência porque não acredita que a boa vontade do MP possa resultar em alguma coisa se não houver boa vontade por parte dos governantes. “Na campanha para governador vieram aqui, prometeram as coisas e nada. No ano passado o Zenaldo (Coutinho, prefeito de Belém) também veio, pisou na rua toda alagada e não fez nada. Não acho que essa reunião vai ajudar a mudar alguma coisa”, justificou, falando com a reportagem do lado de dentro de seu comércio, inteiramente gradeado. “Nunca assaltaram aqui, mas a gente sabe que tem muito assalto aqui na frente, os caras fogem para dentro dessa invasão, que já está aí há muito tempo. Quando minha família chegou aqui, já existia”, afirmou.

Na casa ao lado da de Fábio, o marceneiro Manoel Nunes conta que já perdeu material de trabalho por causa de enchentes que invadiram sua residência. Morando na rua São Miguel há quatro anos, ele parece nem se incomodar tanto com a questão da violência – “assalto tem em todo lugar, não é só aqui que é ruim”, explicou -, mas reclama das calamidades provocadas pelas chuvas. “Dez minutos de chuva e água bate na canela”, contou. “Não vou participar da audiência porque estarei fora daqui, trabalhando em outro lugar, mas eu espero que tentem resolver principalmente a questão das enchentes. Aqui não é subúrbio, é centro da cidade, mas é uma área pouco ‘olhada’ pelo Poder Público”, avaliou.

(Diário do Pará)

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