No dia seguinte à ventania que destruiu e destelhou casas no bairro do Bengui, o cenário era de destruição, mas com muita solidariedade. Vizinhos e familiares ajudavam quem precisava. Nos telhados, gente colocando telhas e reforçando a estrutura. Desde o vendaval de domingo passado, não havia energia elétrica naquela área, nem dava para saber o tamanho do prejuízo daquelas famílias.
O caso mais dramático é o da técnica em enfermagem, Rosana dos Santos, que perdeu a casa toda. “Estou toda batida, roxa. Eu estava só com a minha filha de oito anos em casa. Teve uma hora que a casa tremia, aí quando ela levantou, veio. Eu cai e fiquei presa com ela. Gritei pedindo ajuda, mas os vizinhos não conseguiam me ouvir. Aí eu consegui me soltar e sai com ela e a casa já estava no chão”.
No terreno, amigos e parentes tentavam procurar por entre os escombros o que pudesse ser reaproveitado. “Estou vendo se acho documentos. Mas eu perdi televisão, geladeira, todo os resto”, contava sentada por entre o que sobrava da casa. Ali perto, várias ruas passavam pelo mesmo problema. Os resquícios do vendaval eram notados pelo chão. Pedaços de pau e telhas espalhados, muros quebrados, árvores partidas.
O pintor automotivo Keiton Raiol consertava o telhado da casa em que mora com a mãe, irmãos e sobrinhos. “Estamos desde ontem (domingo) ajeitando. Há uns anos não via isso por aqui. No último, uns oito anos atrás, os telhados voavam que nem pipa no ar”, comentava. Junto a ele, o sobrinho Diego Cardoso lembrava do que viu domingo. “Eu estava aqui perto, vi o vento chegando parecia um pião de tanto que girava”.
LEMBRANÇA
A dona de casa Laís Nogueira estava com o marido e três filhos em casa no momento do vendaval. “O telhado voou inteiro, foi desesperador, ficamos sem ação. Quando saímos de casa para pedir ajuda, vimos que todo o canto estava esbandalhado, não tinha para onde correr. Além do mais continuava chovendo e tinha fio de energia espalhado, ficamos com medo”.
Segundo o departamento de meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), novas tempestades podem cair. “De fato agosto não é um mês que chova muito na Região Metropolitana, mas como a região é tropical, muito quente e úmida, as tempestades podem acontecer em qualquer época, mesmo que sejam mais prováveis no período de chuva”, afirma o meteorologista chefe do departamento, Marcio Lopes.
Mas a situação é atípica. No trimestre de agosto a outubro deve chover mais do que o de costume. “Estamos esperando chuvas acima do normal. Quem comanda isso, basicamente, é o oceano. Ele está sofrendo um resfriamento em parte do Pacífico e um aquecimento do Maranhão ao Amapá. Com uma maior evaporação, isso é o combustível para a formação de nuvens de tempestade”.
Nem todas as tempestades caem acompanhadas do vento forte. “Esses ventos geralmente ficam nos bairros mais próximos do litoral, como o Bengui e os bairros perto do aeroporto. O evento costuma acontecer lá e já gasta parte da sua energia, por isso quando chega aos outros bairros não tem mais tanta força”.
(Diário do Pará)
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