Mesmo com a diminuição das chuvas e a chegada do chamado verão amazônico no Pará, os cuidados no combate ao mosquito da dengue devem ser mantidos. Medidas preventivas nos meses que antecedem a estação mais chuvosa ajudam a evitar a multiplicação de casos. “Se a gente consegue eliminar os criadouros agora, aumentamos as chances de reduzir a proliferação da doenças nos meses críticos”, afirma o coordenador estadual de endemias da Secretaria Estadual de Saúde (Sespa), Bernardo Cardoso.
“Completamente livres nós nunca estamos. O ovo do mosquito tem a capacidade de se manter durante um ano e oito meses antes da eclosão. A fresta de uma caixa de papelão que seja pode se tornar a moradia ideal até que se crie as condições ideais para a eclosão do ovo facilitando a proliferação da doença”, explica Bernardo.
Segundo o coordenador, embora os números da doença estejam em declínio e as condições naturais não favoreçam o mosquito vetor da doença, outros fatores podem contribuir para a multiplicação do Aedes aegypti já que a população tende a ficar menos alerta.
“O cuidado, portanto, deve ser redobrado e as ações para o combate à dengue devem ser constantes”, alerta Bernardo. Segundo o último levantamento da Vigilância Epidemiológica da Sespa, até o dia 31 de julho, o Pará apresentava 15.154 casos suspeitos em todos os municípios, a maioria deles, 6434, relacionados ao tipo clássico da doença. No mesmo período do ano passado, o número chegava a 22.241.
Santarém (2358 casos confirmados), Belém (1156), Parauapebas (749), Marabá (530) e Medicilândia (479) estão entre os cinco municípios com maior número de incidência. “O combate só tem êxito quando há uma parceria entre a gestão e a comunidade. É importante que o cidadão não descuide nem mesmo nesse período”, orienta. Segundo ele, a carga viral circulante nessa época do ano é baixa e poucas pessoas manifestam a doença, ainda assim, bairros como Marambaia, Jurunas e Guamá ainda apresentam alguns casos da doença.
ALERTA
Moradora do Jurunas há mais de 20 anos, a dona de casa Fernanda Carvalho garante se manter alerta o ano inteiro contra a doença. Com uma filha de três anos em casa, ela diz que se preocupa em manter o mosquito bem longe. “O cuidado aqui é constante. Não deixo água parada e mantenho o quintal limpo. A sorte é que os vizinhos, pelo menos aqui do lado, também são vigilantes. Com isso e a gente nunca pegou essa doença, mas o temor é sempre grande”, diz a moradora.
Adepta de um jardim florido, a aposentada Zeneide Silva também não descuida dos cuidados extras. Na residência, plantas apenas na terra e sem pratinho. “Eu rego todo dia e estou sempre atenta para evitar qualquer problema, assim tenho conseguido me manter livre da doença. Peguei dengue uma única vez e faz mais de 20 anos”, comemora.
(Diário do Pará)
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