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Famílias expulsas de terreno não têm para onde ir

A Polícia Militar (PM) finalizou ontem a retirada de 1.200 famílias que estavam ocupando um terreno privado na rodovia Mário Covas, em frente ao Conjunto Satélite, em Belém.  A ordem judicial de reintegração de posse da área de 20 mil metros quadrados, d

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A Polícia Militar (PM) finalizou ontem a retirada de 1.200 famílias que estavam ocupando um terreno privado na rodovia Mário Covas, em frente ao Conjunto Satélite, em Belém.

A ordem judicial de reintegração de posse da área de 20 mil metros quadrados, de propriedade da construtora Gafisa, foi expedida na última segunda-feira pelo juiz da 2º Vara Cível de Belém, Elder Lisboa. O pedido de desocupação, que inicialmente seria feito em dois dias, foi prorrogado para três devido à grande quantidade de casas instaladas no local.

“Hoje (ontem) nós estamos com 70 homens pra finalizar a operação”, disse o tenente-coronel da PM, Leão Braga. A oficial de Justiça, Mariluze Moutinho, que entregou a ordem de desocupação, acompanhava o desfecho do trabalho da PM no local. “Vou entregar oficialmente o terreno para a autora (Gafisa) ao final da operação”, explicou Mariluze.

Sem ter para onde ir, muitas famílias que tiveram suas casas desmontadas estão abrigadas em uma área ao lado esquerdo da ocupação Canaã e temem ser retiradas do local.

OFICIAL

Segundo a oficial de Justiça, o espaço não pode ser desocupado, pois o cumprimento da ordem judicial é apenas para o terreno pertencente à empresa. Pelo menos 100 famílias já estão instaladas na área.

“As famílias não têm para onde ir. Queria fazer um apelo para o governo do Estado, para pedir que libere essa terra para nós”, disse o vendedor de frutas, de 39 anos, Raimundo Pereira.

A catadora do lixão do Aurá, Léa do Socorro Ferreira, de 59 anos, conta que estava vivendo na ocupação há um mês depois que foi obrigada a deixar a casa onde morava com a mãe de criação. “Ela (mãe) não quis mais que eu ficasse lá porque já tinha a família dela, e agora não tenho pra onde ir. Se me tirarem daqui, eu não sei o que vou fazer da minha vida”, afirmou.

Grávida, a dona de casa Eliza Pantoja, de 23 anos, vive o drama de não ter onde morar com o filho que espera, o marido, que é vendedor de lanche, e o filho de sete anos. “Estou desesperada. Morava de aluguel, depois tive que sair de lá e agora não tenho pra onde ir”, lamenta a jovem.

Já Cileniusse Lopes, que veio do Maranhão com o marido e os quatro filhos para tentar uma vida melhor em Belém, relatou o drama que está passando com a família. “Fizemos nossa casa aqui e aí disseram que não podia mais ficar. Estou desesperada com meus filhos. Vim do Maranhão e não conheço ninguém aqui. Já pensou, eu com quatro crianças e não ter onde morar. Pagava uma kit-net na Augusto Montenegro. Mas meu marido só ganha R$ 300 e só dava pra pagar o aluguel. A gente veio pra cá pra não passar fome”, contou a dona de casa que está há 2 meses no Pará.

(Diário do Pará)

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