Quando soube da doença do filho, Jaciara Sousa levou um susto. O menino nasceu com uma deficiência grave e com apenas um ano já precisara retirar um dos rins, em 1998. Tássio Matheus Sousa precisava de um transplante. Sobravam dúvidas. Faltava informação. “Até hoje é assim, a população sabe pouco sobre transplante e a desinformação ainda impera, prejudica muitas famílias. Vim aqui dar meu testemunho de mãe e tentar sensibilizar como puder o maior número de pessoas”, disse a presidente da Associação dos Renais Crônicos do Pará durante pronunciamento na Sessão Especial da Câmara de Belém, na manhã de ontem (14).
“Não foi fácil. A única certeza que tinha era que queria o meu filho vivo e foram 23 procedimentos cirúrgicos até o transplante realizado em outro estado. Viajamos a cada seis meses para São Paulo para avaliação dele, mas ele está ótimo, tem uma rotina normal e isso me faz muito feliz, por isso eu já decidi, sou doadora. Agora falta convencer o maior número de pessoas.”, afirmou Jaciara tendo como principal expectador na plateia o próprio filho, hoje com 15 anos. “Ganhei um rim, sou normal e muito agradecido”, resumiu com muita timidez o menino que fez questão de registrar sua participação como doador no medidor de doadores de órgãos do Estado que ficará no hall de entrada da Câmara até o dia 30 deste mês.
“A ideia é fazer com que cada um que aqui se fez presente torne-se um multiplicador no sentido de sensibilizar familiares, amigos, vizinhos em prol de um ato humano que vai além da morte, a conservação da vida de alguém que já está quase sem esperança”, justificou o vereador Abel Loureiro que além de médico é doador de órgãos declarado e autor do pedido para a Sessão Especial. “Já comuniquei a minha família, é um gesto simples que a gente espera que seja disseminado”, completou.
A remoção de órgãos e tecidos no Brasil é tratada pela lei federal 9.434 e deixa claro que o transplante depende de autorização do cônjuge ou parente até segundo grau, maior de idade, com assinatura de duas testemunhas. Essa ainda é uma das barreiras para aumentar a doação.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SESPA), no Pará existem hoje 560 pacientes a espera de uma doação de córnea e cerca de 900 à espera de um rim. Nos seis primeiros meses do ano foram realizadas 143 cirurgias de transplante de córnea e 120 de rins.
A sessão especial integrou as homenagens ao dia municipal do doador de órgãos e tecidos, comemorado no último dia 04, e o aniversário de 99 anos da Sociedade Médico-Cirúrgica do Pará.
(Diário do Pará)
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