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Paraense fará cirurgia para curar epilepsia

A adolescente Ana Carla Viegas Cardoso, de 13 anos, natural de Abaetetuba, será a primeira paraense, e o primeiro paciente da Região Norte, a ter implantada em seu corpo um estimulador de nervo vago, VNS (sigla em inglês para Vagus Nerve Stimulator). O ap

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A adolescente Ana Carla Viegas Cardoso, de 13 anos, natural de Abaetetuba, será a primeira paraense, e o primeiro paciente da Região Norte, a ter implantada em seu corpo um estimulador de nervo vago, VNS (sigla em inglês para Vagus Nerve Stimulator). O aparelho, desenvolvido nos Estados Unidos, envia estímulos elétricos diretamente ao nervo vago, um dos principais elos de comunicação entre o corpo e o cérebro, localizado no pescoço, para controlar e prevenir crises de epilepsia.

A cirurgia será realizada no próximo dia 20, no Hospital do Coração, em Belém. O procedimento será realizado pela equipe de neurocirurgia da clínica Neurogênesis – Instituto de Neurociências, sob o comando do médico Francinaldo Lobato Gomes, 38, formado pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Mestre em Neurociências, também pela UFPA, e neurocirurgião e especialista em cirurgia de epilepsia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A equipe é formada ainda pelos neurocirurgiões Eric Pascoal e Sandro Cavalcante, pelo neurologista Fernando Paschoal e pela neuropediatra Joelma Paschoal.

“O choque evita que a crise se espalhe para outras áreas, bloqueia a propagação delas, diminuindo a intensidade e a frequência, proporcionando uma melhora para os pacientes”, afirma Francinaldo. O tratamento pode reduzir de 50% a 70% as crises de pacientes com casos severos de epilepsia, que podem apresentar mais de 10 crises por dia, e que resistem ao tratamento com medicamento ou que não podem ser operados. Em alguns casos, segundo ele, as crises podem até desaparecem totalmente. “É uma ferramenta extremamente útil para o tratamento de pacientes que a gente não consegue tratar com medicamentos ou cirurgia. Melhora muito a qualidade de vida deles”.

ESPERANÇA

Ana Carla se enquadra nesse perfil. Filha da professora Noelsa Viegas Cardoso e do vigilante Carlos da Costa Cardoso, ela começou a apresentar crises aos três anos, mas só começou a tomar medicamento aos seis por falta de informação e de atendimento no município onde moram. O tratamento com medicamentos nunca foi eficaz e foi recomendada cirurgia desde os sete anos, mas exames mostraram que isso não seria possível porque a epilepsia dela acomete os dois lados do cérebro e não foi detectada nenhuma lesão que pudesse ser removida cirurgicamente.

Hoje, mesmo tomando quatro tipos de remédios para controlar as crises ela chega a ter até 15 crises por dia, segundo a mãe. Ela conta que Ana Carla hoje tem um cotovelo deslocado e muitos hematomas pelo corpo e pela cabeça por causa das quedas. As crises a impediram de continuar estudando e Noelsa teve que parar de trabalhar para tomar conta da filha que precisa de cuidados especiais até mesmo quando vai tomar banho ou comer.

“Meu coração está esperançoso. A minha filha está ansiosa para voltar a estudar”, diz Noelsa que deposita suas esperanças nas mãos de Francinaldo que é seu conterrâneo e se dispôs a ajudar a família que teve que fazer um plano de saúde da Unimed, que diminuiu o prazo de carência, para que a filha pudesse fazer a cirurgia.

Por enquanto o VNS só está disponível na rede privada, mas Francinaldo afirma que o aparelho poderá já estar disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS) a partir do ano que vem.

Carlos Cardoso, diz que quer que o fato seja divulgado “porque há muitas pessoas desinformadas, para elas saberem que esse tratamento já pode ser feito aqui no Pará.

Saiba mais

Números - Somente 400 cirurgias do gênero já foram feitas no Brasil, das 100 mil já realizadas em todo o mundo. Segundo cálculos que levam em conta a população do Estado e a prevalência da doença, existem aproximadamente 35 mil pessoas que poderiam se beneficiar com esse tratamento no Pará.

VNS - O VNS foi desenvolvido nos Estado Unidos a partir de experiências com eletrochoques que eram usados como tratamento psiquiátrico na década de 50 e que melhoravam as crises de epilepsia. O equipamento foi liberado pela Food and Drug Administration (FDA), equivalente à Agência Nacional de Saúde (ANS), em 1988, e pela ANS em 1998.

Epilepsia - A epilepsia é uma doença caracterizada por uma alteração na atividade elétrica do cérebro que provoca crises de convulsões, resultantes de uma espécie de curto-circuito no sistema neurológico. Na maioria dos casos não tem causa definida. A doença atinge cerca de 50 milhões de pessoas no mundo.

(Diário do Pará)

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