Saber que caminho seguir. Uma missão simples que pode virar um desafio para o turista que chega a Belém. Com um sistema de sinalização turística ainda deficiente, a capital paraense com todo o atrativo natural e cultural que possui, ainda engatinha quando o assunto é orientar e conduzir, com segurança, quem chega. O anúncio do repasse de R$ 1 milhão em investimentos do governo federal pode animar, mas o desafio é grande.
Faltam mapas, informações e placas de orientações. Equipamentos utilizados para facilitar a localização de visitantes são insuficientes e estão dispostos, na maioria das vezes, muito próximos aos pontos turísticos, quando a localização visual já seria suficiente. “Acho que o problema de Belém é que o turismo acaba se fechando muito nos mesmos lugares, sinto falta de uma indicação mais clara para pontos de turismo mais alternativo, como por exemplo, o cinema mais antigo do Brasil”, diz o mineiro Ronaldo Costa que assumiu a cidade das mangueiras como sua há pouco menos de três anos. “Belém é uma cidade incrível que pode aproveitar muito mais seu potencial e atrair muito mais visitantes, mas é preciso organização. Uma placa como essa, por exemplo, confunde demais o turista”, diz o artesão diante de uma foto antiga do Mercado Bolonha afixada por detrás do mercado do Ver-o-Peso, no lado oposto onde funciona o Mercado de Carne, recentemente reinaugurado.
“As pessoas nem sabem que a gente existe. Há muito pouco de informação e isso prejudica o nosso trabalho. Quem chega aqui vem através de outra pessoa que já conhece”, reclama o estudante de turismo Rosenildo Ferreira que se ocupa em uma banca destinada a artesanato indígena administrada pela própria faculdade dentro do mercado Bolonha, onde há apenas uma placa de reinauguração toda em português. “Recebemos muita gente de fora e não há nenhuma indicação em inglês para esse turista. Acredito que a sinalização devia ser, no mínimo, trilíngue. Português, inglês e espanhol”, opina.
VISITANTES
Há menos de um dia em Belém, os franceses Arthur Bouillè e Fèlicie Eymard aprenderam rapidamente a técnica para chegar ao destino certo. “A gente faz mímica ou usa o portunhol. As pessoas sempre estão dispostas a ajudar”, diz a turista. “Viemos conhecer a Amazônia e começamos por Belém. Não temos muita informação. Vamos conhecendo sozinhos”, resume Arthur acompanhado da bióloga Roselis Mazurek que sempre recebe turista estrangeiro em casa e ajuda como uma espécie de ‘guia’. “O que talvez ainda falta em Belém são mais pontos de apoio ao turista. Locais que deem suporte de informação”, considera.
Em passeio por alguns pontos de tradicional visitação turística, o DIÁRIO viu pouca informação. No Ver o Rio e no Mercado Ver-o-Peso apenas sinalização verticais foram identificadas, todas sempre muito próximas aos locais de concentração de turistas. Na praça Waldemar Henrique, apesar da referência no Ver o Rio, nenhuma identificação foi observada. No complexo Feliz Lusitânia, onde estão concentrados os principais pontos turísticos da cidade, Forte do Castelo, Casa das Onze Janelas e Museu de Arte Sacra, há placa de orientação com o nome dos espaços de visitação em três línguas, português, inglês e francês. Mas informações com horários e dias de funcionamento estão claras apenas em português.
O coordenador municipal de turismo Maikenn Souza reconheceu a fragilidade da sinalização ao turista em Belém, mas disse que com a garantia dos recursos federais, anunciada no último dia 08 pelo ministro do turismo Gastão Vieira, os turistas que chegarem à capital já a partir do segundo semestre do ano que vem poderão notar a diferença.
Belém está entre os 34 destinos históricos selecionados pelo Ministério do Turismo para receber investimentos para implantação de sinalização turística. O investimento total será de R$ 19 milhões, sendo R$ 1 milhão para a capital paraense.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar