Rodoviários da Região Metropolitana de Belém (RMB) fizeram ontem (16) um protesto, paralisando os ônibus nas principais vias da capital. Os manifestantes reivindicavam a soltura do motorista da empresa Viação Forte, Jorge Luiz Fernandes, 40, envolvido em um acidente de trânsito na última sexta-feira (09), na avenida Almirante Barroso, que causou a morte de um idoso no local e deixou o filho da vítima gravemente ferido. Os rodoviários também pedem punição à condutora de um veículo de passeio que atingiu as vítimas e não foi presa.
A manifestação começou na avenida Portugal, próximo ao Ver-o-Peso, no bairro da Campina. Familiares, amigos e colegas de trabalho de Jorge carregavam faixas e cartazes. Segundo o secretário-geral do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Chrystian Vilhena, a condutora envolvida no acidente seria funcionária do Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE) e estaria sendo beneficiada por ocupar o cargo. “Os dois assumiram o risco. Mas só o nosso colega foi preso. Ela que atropelou e tá sendo beneficiada por ser funcionária do tribunal”, afirmou.
Durante a paralisação, advogados dos sindicatos dos rodoviários de Belém, Ananindeua e Marituba e intermunicipais impetraram um habeas corpus no TJE para o motorista que completou ontem sete dias preso na Seccional de São Brás, mas não foi julgado ainda. Casada com Jorge Luiz há 19 anos, Silvana Fernandes, 37, afirmou que o marido, que trabalha na empresa há 16 anos não tem antecedentes criminais, nunca esteve envolvido em acidentes e não possui pontos por infração de trânsito.
Oneide Barros disse que o marido, Walter Souza, um dos atingidos no acidente, continua internado na UTI e ainda corre risco de morte. Ela informou ainda que a família está apenas contando com a ajuda de familiares e vizinhos.
O Tribunal de Justiça do Pará informou, em nota, que a envolvida no acidente não é servidora do TJPA. Seu nome não consta do sistema de Recursos Humanos da instituição nem do cadastro de servidores terceirizados.
Policial teria atirado contra manifestantes
Durante a tarde os rodoviários resolveram intensificar os protestos obstruindo a avenida Almirante Barroso por volta das 13h no sentido São Brás – Entroncamento, em frente ao Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJE). Enquanto condutores buscavam como podiam acesso à avenida João Paulo II, policiais militares da Ronda Tática Metropolitana (ROTAM) utilizaram o espaço que servirá ao BRT para liberar a pista.
Em menos de meia hora a PM conseguiu controlar o fechamento, porém, um policial militar à paisana teria agido de forma imprudente durante a ação e efetuado três tiros contra civis, um deles supostamente atingiu de raspão o estômago do cobrador de ônibus Márcio Santos. “O policial se irritou com a paralisação e atirou três vezes contra a gente”, acusou Fábio Maurício, diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belém, enquanto segurava duas cápsulas de munições deflagradas de pistola Ponto 40, de uso exclusivo da polícia.
Após o tumulto, o policial militar teria recebido proteção dos colegas de farda e a partir daí nenhuma informação foi divulgada. Um comunicado extraoficial foi feito aos sindicalistas informando que o PM teria sido levado à Central de Flagrantes de São Brás para prestar depoimento, o que não ocorreu, conforme confirmou o DIÁRIO.
“Me disseram que durante o desbloqueio da pista alguns manifestantes quiseram agredir o policial após ele se ter se identificado como polícia. Então atirou pra cima, pra pedir ajuda aos colegas e ser retirado dali antes de se machucar”, informou um oficial da Polícia Militar que preferiu não se identificar. Segundo o tenente coronel Rosinaldo, da ROTAM, comandante da operação de desobstrução da via, a ação foi rápida e sem maiores danos. “Não podíamos permitir o fechamento para não prejudicar o direito de ir e vir da população”, argumentou.
A assessoria de comunicação da Polícia Militar foi procurada por nossa reportagem, porém, até o fechamento desta edição, nenhuma informação a respeito do policial à paisana que teria atirado nos manifestantes nos foi repassada.
Promessa é de não bloquear mais ruas
Por volta das 15h os rodoviários decidiram desocupar as ruas da Presidente Vargas e do Comércio, mas prometiam continuar os protestos na próxima segunda feira, caso o colega de categoria não fosse solto. Os sindicalistas, porém, mudaram o discurso após atenderam chamado para reunir com o coronel PM Mário Solano, secretário adjunto de Gestão Operacional da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Bem Estar Social (Segup).
O diretor do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Edilberto Ventania, afirmou que a direção vai tentar convencer a categoria a não mais fechar vias na próxima semana após receberem a garantia de que Jorge Luiz ficará em ala separada de criminosos comuns na Central de Triagens de São Brás. “Nós tomaremos a partir de agora decisões colegiadas entre a secretaria e o sindicato para agirmos de forma mais inteligente em relação às demandas que se apresentam”, explicou Mário Solano.
Segundo ele, uma reunião com a Delegacia Geral do Estado será agendada para a próxima segunda-feira . “Eles se queixam de ser hostilizados nas delegacias quando precisam prestar queixas, e com transparência tentaremos resolver esse possível problema”, confirmou.
O acidente
Na última sexta-feira (09), por volta das 18h30, um ônibus colidiu em carro na Almirante Barroso, esquina com a travessa Perebebuí, bairro do Marco. Com a batida, o carro subiu a calçada em frente ao Bosque e atingiu pai e filho que retornavam do trabalho em uma bicicleta. João Nascimento, 74, morreu na hora e o filho, Walter Souza, 44, está internado em estado grave no Hospital Metropolitano.
(Diário do Pará)
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