Antes mesmo de alguém pegar em um pincel, a série de autorretratos que adorna as paredes do Laboratório de Artes da Casa das 11 Janelas da exposição ‘O retrato que há em mim’ surgiu da experiência de alunos atendidos pela Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Belém de conhecer e gostar o que viam refletido no espelhinho de bolso.
A mostra é, que encerra amanhã, resultado de três meses de oficina, realizada em parceria entre a instituição filantrópica e o museu. Ao todo são 24 quadros em exibição, utilizando técnicas mistas como a fotografia, a pintura, o desenho e a colagem.
Uma vez por semana, o grupo tinha aulas nas dependências do museu, conhecendo as obras de referências do autorretrato como Van Gogh, Tarsila do Amaral e Frida Kahlo.
Quem desabrochou com as aulas foi Rosa Maria. Ela que tem uma fobia de alturas e espaços abertos, sofreu muito nas primeiras visitas a Casa das Onze Janelas: era uma tortura ter que subir as escadas para o segundo andar e, quando chegava lá, dava de cara com a vista da imensa orla do rio Guamá. Para vencer o medo da garota, Silvana bolou uma pequena mentirinha: uns óculos escuros mágicos. “No primeiro dia ela chorou, fez um escândalo. Mas os óculos deram confiança, ela conseguiu subir as escadas agarrada no meu braço. Na próxima visita, ela já trouxe os óculos dela, dizendo que era muito mais poderoso”, conta Silvana Saldanha, organizadora da exposição e professora de artes visuais.
Descrita como uma jovem que adora pintar e desenhar, ela se cobriu com um tecido de flores para o retrato. O seu sorriso de orelha a orelha combina com os salpicados de verde e amarelo da pintura.
(Diário do Pará)
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