Planejada ou não, a gestação e o pós-parto requerem cuidados especiais que, algumas vezes, são ignorados pelas mulheres. Segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 600 mulheres morreram por complicações no período gestacional e no parto somente em 2012, no Pará.
Segundo a professora Ana Paula Gonçalves, coordenadora do Simpósio Multiprofissional de Atenção Integral à Saúde da Mulher no Ciclo Gravídico-Puerperal, ocorrido nos últimos dias 9 e 10, realizado pela Faculdade de Enfermagem da UFPA, os profissionais das áreas de saúde e humanas precisam receber a orientação necessária para saber como acompanhar as mulheres durante e após a gravidez. “Falta qualidade no pré-natal oferecido pelo serviço de saúde pública de Belém”, afirma.
Para as mulheres que planejam ter um filho, a professora orienta que procurem um obstetra para fazer o perfil do pré-natal com a avaliação de peso, idade e exames. “Se você já entra numa gravidez com hipertensão ou algum outro problema, a complicação vai acontecer se não houver um acompanhamento”, alerta.
Na maioria dos casos, a hipertensão é a responsável por ocasionar complicações durante e depois da gravidez. “A hipertensão deve ser tratada seriamente para evitar que a gestante sofra um aborto ou tenha um parto prematuro. Até 12 semanas após o parto, a mulher pode ter complicações em decorrência da hipertensão não tratada corretamente”, conta.
Os cuidados no pós-parto também são fundamentais para a recuperação. “A mulher deve procurar um obstetra uma semana após o parto para ser avaliada. Se foi cesárea, o médico deve avaliar as condições do útero da mulher, se houve algum trauma durante a cirurgia e verificar as mamas. O pós-parto é um período em que a mulher fica mais sensível, por isso ela necessita ser devidamente acompanhada para trabalhar sua autoimagem e saúde mental”, orienta.
Grávida de sete meses da primeira filha, a pedagoga e funcionária pública Ane Oliveira, de 28 anos, se prepara desde o início da gestação para um parto normal pensando na sua recuperação pós-parto. “Estava viajando quando soube da gravidez. Estava com dois meses. Quero parto normal porque é algo natural e nunca fiz uma cirurgia. Tenho medo,”.
ALIMENTAÇÃO
Ane conta que já tinha uma alimentação saudável, mas depois que descobriu a gravidez melhorou mais a alimentação aumentando a quantidade de frutas e verduras, tomando vitaminas e fazendo exercícios físicos como o pilates. “Sentia dores na região pélvica e comecei a fazer pilates pra amenizar as dores e a movimentação. Faço fisioterapia obstétrica também”, revela.
(Diário do Pará)
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