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Comunidade debate problemas da Cremação

Uma audiência pública realizada pelo Ministério Público do Estado (MPE) discutiu, no último sábado, os problemas enfrentados pela comunidade do bairro da Cremação. Acesso à saúde, saneamento, segurança e direito a moradia foram os principais temas levanta

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Uma audiência pública realizada pelo Ministério Público do Estado (MPE) discutiu, no último sábado, os problemas enfrentados pela comunidade do bairro da Cremação. Acesso à saúde, saneamento, segurança e direito a moradia foram os principais temas levantados pelos moradores que puderam falar abertamente das dificuldades enfrentadas diariamente.

“Esse espaço é importante porque só a gente que é daqui pra saber o que de fato acontece”, disse a cuidadora de idosos, Cláudia Regina da Silva. Moradora da travessa Doutor Moraes há mais de 50 anos, Cláudia reclamou do precário atendimento médico no único posto de saúde do bairro, da onda de insegurança e da desocupação de jovens da comunidade.

“A primeira coisa que eu queria pedir era que se visse a possibilidade de ter mais pediatras no posto de saúde, hoje só temos um para a quantidade enorme de criancinhas de todo o bairro; outro pedido seria cursos de capacitação para jovens, tenho um filho de 17 anos e me preocupo muito porque essa meninada fica dia e noite na rua aprendendo o que não deve, se aprendessem uma profissão tenho certeza que os números da violência diminuiriam e a gente poderia sair na rua mais sossegado”.

OCUPAÇÃO

A ocupação Ilha Bela, localizada na rua São Miguel com a Doutor Moraes, foi outro assunto que veio à tona. No local, os moradores que já enfrentavam problemas como a falta de saneamento e a violência sofrem agora com o medo da desapropriação. “Muitas pessoas já foram enxotadas daqui e agora já veio a notícia de novo e o medo de perder anos de trabalho duro voltou. Só quem mora aqui sabe quanto já gastou com aterro para ter um lugar melhor para morar”, afirmou muito nervosa Valdira Freitas Pereira, uma das mais antigas moradoras do bairro. “Eu vi esse bairro crescer, quando cheguei aqui isso era só água”.

Segundo Amélia Parente, da Associação dos Moradores da Cremação, a comunidade tem várias reclamações a fazer ao MPE. “O poder público abandonou a macrodrenagem, o canal da Generalíssimo Deodoro sempre alaga, sem dúvida nosso principal problema são os alagamentos, mas há outros. Nossa Praça Dalcídio Jurandir também está abandonada, a insegurança está em todo lugar e até um projeto de capacitação já com verba liberada não anda por falta de um local para as atividades”.

Segundo o MPE, o objetivo do encontro - que reuniu a titular da Promotoria de Defesa do Cidadão e da Comunidade, Ângela Balieiro, o secretário de Assistência Social, Heitor Pinheiro, o promotor de Justiça Civil Marcelo Maia Souza e o coordenador das promotorias civis, João Silva – é levantar o maior número de informações sobre os problemas enfrentados pela comunidade ligados a serviços públicos individuais e coletivos.

A ideia é abrir um canal de diálogo entre comunidade e poder público. “Todas as demandas foram anotadas e o próximo passo será encaminhá-las para os órgãos responsáveis. Nossa expectativa é retomar esse canal em 30 dias já com respostas para a comunidade”, disse a promotora.

(Diário do Pará)

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