Com o auxílio de um carro som, representantes da Associação dos Servidores da Santa Casa iniciaram a manhã de ontem convocando os demais funcionários para uma assembleia que pode culminar em uma paralisação da categoria. Com questões que incluem, segundo eles, perseguição e uma possível privatização da Fundação, os servidores devem se reunir nesta quarta-feira.
Segundo o presidente da associação, Flávio Roberto Costa, a categoria protesta, acima de tudo, contra a atual gestão da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará. “Estamos protestando contra a privatização, porque esse discurso do governo de que não vão privatizar não é verdadeiro já que todo dia estão terceirizando serviços aqui. O governo está se aproveitando de um prédio que já estava quase construído para desvinculá-lo da Santa Casa”, afirma.
“Também é contra o assédio moral e perseguições constantes. Aqui temos coações e ameaças contra os servidores que se manifestam contra a atual gestão. 90% dos servidores são contra a atual gestão, mas não se manifestam porque têm medo de retaliações”.
Segundo Flávio Roberto, alguns serviços, hoje, já são terceirizados no hospital, o que só aumentaria a preocupação dos servidores. “O serviço de farmácia, de cozinha, de lavanderia, de laboratório... vai ser tudo terceirizado. O de recepção e de impressão já são”, afirmou, ao destacar que ele mesmo já vem sofrendo retaliações. “Estou afastado desde o dia 9 deste mês porque disseram que eu iria atrapalhar o andamento do processo administrativo. Se eu que sou diretor do sindicato e presidente da associação já estou sofrendo retaliação, imagina os demais servidores”.
Para o presidente da Federação dos Servidores Públicos do Pará, Valdo Miranda, o que falta, por parte da atual gestão e do governo, é transparência.
TRANSPARÊNCIA
“O governo não tem transparência. Tudo que os servidores sabem é pela imprensa. Por isso estamos chamando todos os servidores para um ato público na quarta-feira onde vamos fazer um abraço simbólico na Santa Casa para dizer que somos contrários a todos os problemas causados também pela atual gestão”, afirma. “Na quarta-feira vamos fazer uma assembleia em frente a Santa Casa para discutir uma possível paralisação”.
Em nota, a procuradoria da Santa Casa informa que os servidores Flávio Roberto e André Formigosa foram afastados por 60 dias sem prejuízo da remuneração. “Obedecendo tudo em conformidade com o Regime Jurídico Único (RJU), que estabelece princípios constitucionais e administrativos, sobretudo ao devido Processo Legal, Contraditório e Ampla Defesa. Cabe informar ainda, que os servidores têm o acesso disponível para acompanhar o tramite de seus processos na Instituição, conforme a Legislação pertinente.
Em relação à privatização, a nota diz que “essa notícia não tem nenhum cabimento e até o próprio governador Simão Jatene já se pronunciou sobre o assunto em que a instituição não será privatizada, nem será gerenciada por uma Organização Social (OS)”. A Santa Casa também afirma que com a inauguração do novo prédio haverá outro Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica.
Vereadora pede providências sobre assédio
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Câmara Municipal de Belém (CMB), vereadora Sandra Batista (PC do B), pediu providências a respeito de “situações de assédio moral e perseguição a funcionários da Fundação Santa Casa de Misericórdia do Pará” e cobrou “uma solução urgente para os problemas de infraestrutura e de gestão da maternidade”, denunciados pela imprensa.
REQUERIMENTO
No requerimento, apresentado na sessão da manhã de ontem, Sandra Batista exige que o governador do Estado, Simão Jatene, “tome providências para garantir o direito humano essencial à saúde – transgredido na maternidade que chegou a registrar 25 mortes de recém- nascidos em 13 dias”.
A parlamentar pediu também informações sobre o afastamento de suas funções por 60 dias do nutricionista André Luiz Silvestre Formigosa e do assistente administrativo Flávio Roberto da Costa Silva, que, segundo ela, estariam sendo “perseguidos” e sofrendo “retaliações”, por denunciarem a situação em que o hospital se encontra.
(Diário do Pará)
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