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População quer fim da poluição do ar

Tem dias que a gente sequer consegue dormir por aqui, pois não dá pra respirar com esse ar poluído”. Com essa frase, o autônomo Vicente Carvalho, de 63 anos, resumiu a situação da população do bairro industrial do município de Barcarena, onde mora há 26 a

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Tem dias que a gente sequer consegue dormir por aqui, pois não dá pra respirar com esse ar poluído”. Com essa frase, o autônomo Vicente Carvalho, de 63 anos, resumiu a situação da população do bairro industrial do município de Barcarena, onde mora há 26 anos.

Cerca de 60 moradores se dividiram na madrugada de ontem e fecharam as entradas para as principais empresas que atuam na área: Albras/Alunorte e Pará Pigmentos. As vias foram fechadas por volta das 4 horas da madrugada e permaneciam assim até o meio dia de ontem.

“Por anos temos aqui danos ambientais e morais. Como ribeirinha, posso afirmar que perdemos nosso açaí e nosso camarão, que é nossa fonte de renda, tudo por contaminação. E quantos óbitos já não tivemos na família por causa de água e ar contaminados?”, diz a presidente da Associação de Moradores das Ilhas de Belém, Jaqueline Costa.

Às 8h da manhã uma fila de carros e caminhões já se formava dos dois lados da barreira na entrada da Albras/Alunorte, estrada que também dá acesso ao porto da Companhia das Docas do Pará (CDP). Insatisfeito, o motorista Nelson Flexa, que tentava chegar ao porto, propõe outra solução: “A gente nunca tem nada a ver com isso. Eles têm que ir para a Prefeitura, Cosanpa, etc”.

Os trabalhadores da empresa que chegavam foram impedidos de passar, mas depois tiveram apoio da Polícia Militar. “Sim, os manifestantes podem fechar a estrada, mas não podem impedir os trabalhadores de irem a pé, caso eles queiram”, explicou o capitão Heyder, do 14º Batalhão da Polícia Militar.

Os caminhoneiros que carregavam gado vivo nas caçambas começaram a ter problemas por volta das 9h da manhã. “Já morreu um boi dentro dos caminhões. Quando isso acontece, quem paga somos nós. Se eles não nos deixam passar, vamos fechar tudo de vez”, explica Gilberto Júnior, um dos motoristas. E foi o que aconteceu: a PA-483, trecho da Alça Viária, foi fechada com caminhões atravessados na pista, sendo liberada apenas para ambulâncias.

REIVINDICAÇÕES

Em julho, a população se reuniu com o governo do Estado para negociar o remanejamento e indenização das 1.620 famílias que moram na região industrial. Uma nova reunião foi marcada para o dia 15 deste mês, mas esta não aconteceu. “Falam muito em remanejamento, mas nada de indenização. Além disso, querem dar casas do ‘Minha Casa, Minha Vida’ e elas não correspondem ao valor e estado das casas que vivemos atualmente”, esclarece Cleide, que tem 34 anos e nasceu no município.

Entre as reivindicações dos manifestantes, o pedido de fornecimento de água mineral, perícia na população contaminada e tratamento imediato dos doentes. Além disso, eles querem a preservação das áreas verdes e recapagem da PA-483. O fechamento da rodovia foi acompanhado de perto pela PM, o major Mauro Andrade, comandante do 14º Batalhão, tentou negociar com os caminhoneiros, mas sem sucesso.

Até o meio-dia de ontem, os manifestantes continuavam na espera de oito horas por um representante do governo para discutir a situação.

A manifestação encerrou por volta de 17h. Os manifestantes não conseguiram nenhum posicionamento. “Ninguém apareceu lá, não conseguimos retorno. O governo não mandou ninguém para conversar com a gente”, afirmou Cleide. A moradora disse ainda que o Grupo de Trabalho vai marcar reunião para definir a data da próxima manifestação. “O povo vai continuar fechando a rodovia até que o governo nos atenda. O prejuízo deles aqui é muito grande”.

A reportagem procurou a Secretaria de Comunicação do Estado sobre as reclamações dos moradores, mas não teve retorno.

(Diário do Pará)

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