O presidente da Federação das Associações de Municípios do Estado do Pará (Famep), Helder Barbalho, criticou na sexta-feira (23) duramente o governo federal e o governo do Estado, aos quais responsabilizou pela pobreza crônica do Marajó e pelos vergonhosos índices de desenvolvimento humano, registrados pelos municípios do arquipélago marajoara.
Em seu mais recente levantamento, o PNUD, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, apontou o município de Malgaço, na ilha do Marajó, como o detentor do mais baixo IDH entre os 5.564 municípios brasileiros. Mas ele não é caso isolado. Segundo o programa da ONU, várias outras cidades marajoaras figuram na lista dos 50 municípios brasileiros com os piores índices de desenvolvimento humano.
Helder Barbalho participou na quinta-feira e ontem, a convite, do Encontro Regional “Nós podemos – Marajó, pelos Objetivos do Milênio”. O encontro, realizado em Breves, contou com a participação de prefeitos de dez municípios do arquipélago, além de vereadores, secretários municipais de diversas áreas, estudantes, lideranças comunitárias e parcelas expressivas da população local.
Em seu discurso, o presidente da Famep disse que o povo do Marajó já está cansado de ‘blablablá’ e cobrou, do Estado e da União, medidas concretas para impulsionar o desenvolvimento econômico e diminuir a miséria em todo o arquipélago.
Atingir os objetivos do milênio significaria acabar com a fome e a miséria, oferecer educação de qualidade, promover a redução da mortalidade infantil, melhorar a qualidade de vida e instituir uma cultura de respeito ao meio ambiente. Esses foram os principais temas debatidos no encontro, marcando um contraste chocante entre o discurso, traduzido em metas, e a desoladora realidade econômica e social imperante no Marajó.
Os debates foram conduzidos pela coordenadora nacional pela cidadania e mobilização, Aparecida Zago Udenal, e pelo assessor da Secretaria Geral da Presidência da República, Ubirajara Augusto. Ambos destacaram os esforços que os governos vêm realizando, nas três esferas de poder, para garantir o cumprimento das metas fixadas pela Organização das Nações Unidas no ano 2000, durante a Cúpula do Milênio ocorrida em Nova York.
Esforço que, no Marajó, simplesmente não chega a ser perceptível, tal o grau de pobreza e atraso em que se encontra aquela vasta extensão insular do território paraense.
(Diário do Pará)
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