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Nível de emprego está caindo no Pará

O desaquecimento da economia brasileira, que vem provocando uma forte retração do mercado de trabalho, já apresenta resultados perversos também no Pará. O sinal de alarme, em Brasília, aqui e em todo o país, soou forte esta semana, quando o Ministério do

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O desaquecimento da economia brasileira, que vem provocando uma forte retração do mercado de trabalho, já apresenta resultados perversos também no Pará. O sinal de alarme, em Brasília, aqui e em todo o país, soou forte esta semana, quando o Ministério do Trabalho divulgou, na quarta-feira, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) relativos ao mês de julho.

Neste período, foram criadas em todo o país 41.463 novas vagas formais, números que, sem outros parâmetros, poderiam ser considerados bons. Ocorre que significam uma queda de 70,9% em relação ao mesmo mês de 2012, quando foram criadas 142.496 vagas. Segundo o próprio Ministério do Trabalho, o resultado de julho de 2013 é o pior registrado para esse mês específico em dez anos, desde que, em 2003, foi registrada a abertura de 37.233 vagas no mercado formal de trabalho.

No Pará, apesar do persistente ufanismo no discurso, a situação não é muito diferente. Embora com saldo ainda positivo na geração de empregos, o fato é que o Estado sofreu um baque violento no primeiro semestre deste ano. A diminuição do ritmo de atividade econômica praticamente travou o setor industrial e levou o Pará a perder um número surpreendentemente alto de postos de trabalho.

Basta dizer que, nos três primeiros meses do ano, o Estado só conseguiu abrir 910 vagas formais, um resultado pífio como há muito não se via. Ele corresponde à diferença entre 91.384 admissões registradas no período contra 90.474 desligamentos. Estes números revelam, aliás, uma característica singular do mercado de trabalho paraense. O Estado sempre abre muitas vagas, mesmo nos momentos de crise. O problema é que ele nem sempre consegue manter abertas as vagas que cria.É razoável acreditar que fatores diversos estejam contribuindo para esse comportamento movediço do mercado formal de trabalho no Pará. Para os pesquisadores da área, porém, o mais determinante é provavelmente a falta de qualificação da mão de obra local. Esta é a opinião, por exemplo, do economista Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese, o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos.

De acordo com Roberto Sena, para cada 500 mil empregos gerados no Pará, pelo menos 125 mil – cerca de um quarto – acabam sendo ocupados por profissionais trazidos de fora simplesmente porque não temos, aqui, recursos humanos com a qualificação profissional adequada para ocupá-los. “Nós precisamos investir muito forte em qualificação”, afirma o supervisor técnico do Dieese, destacando que a obrigação, neste caso, é tanto do Estado quanto das prefeituras, mas não somente deles. “A responsabilidade é tanto do poder público quanto do setor empresarial”, acrescenta.

Outro fator que contribui para essas oscilações do mercado de trabalho, segundo ele, é o perfil acentuadamente exportador que caracteriza a economia paraense. “Quando se fecham as porteiras, lá fora ou em outras regiões do Brasil, aos primeiros sinais de crise, o efeito imediato é o encolhimento da nossa atividade econômica, já que a produção paraense, seja de origem vegetal, animal ou mineral, sobretudo esta última, é destinada em sua maior parte à exportação”, finaliza.

Vagas em Belo Monte ‘mascaram’ os números

Mesmo seguindo uma trajetória declinante desde o ano passado, a expansão do mercado formal de trabalho do Pará poderia ser ainda mais tímida se não fossem as obras de construção da hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu. Embora de caráter temporário, o empreendimento, em sua fase atual, tem como característica a absorção em larga escala de mão de obra, ainda que oferecendo empregos em sua quase totalidade de média e baixa qualificação.

No final do ano passado, os canteiros de obras de Belo Monte registravam cerca de 21 mil empregados diretos. Em julho deste ano, eles já eram 28 mil, o que significa dizer que, em apenas seis meses, foram abertas sete mil novas vagas formais. Fica claro, por aí, que as obras da hidrelétrica estão inflando os números do emprego no Pará e “maquiando” para melhor os dados do mercado local de trabalho. O problema é que, quando passar o pico das obras, a partir de 2016, terá início a desidratação desse mercado, com o previsível aumento das hordas de desempregados na região do Xingu.

No contexto atual, um aspecto favorável a ser considerado é a existência de indicadores diversos sugerindo uma reversão de expectativas, até o final do ano, em relação ao primeiro semestre. Ou seja, piorar não vai, a menos que viesse a ocorrer no Brasil um desastre econômico de grandes proporções, o que não está visível no horizonte.

Além da ligeira melhora observada no Pará em julho, no tocante à geração de empregos, contrariando inclusive a tendência de queda observada no plano nacional, alimentam expectativas mais favoráveis os volumes de recursos novos que serão injetados na economia paraense nos últimos cinco meses do ano.Nesse mesmo período de 2012, segundo cálculos do Dieese, a economia paraense recebeu aportes adicionais de recursos da ordem de R$ 3,350 bilhões. Entram nesse cálculo R$ 300 milhões relativos à primeira parcela do 13º salário do funcionalismo público, que este ano estará disponível a partir de amanhã, mais R$ 850 milhões proporcionados pelos negócios derivados do Círio, e R$ 2,2 bilhões, entre novembro e dezembro, referentes ao 13º salário, complementando o pagamento dos servidores públicos e mais o valor integral dos trabalhadores do setor privado, para salvar a ‘pátria’ do Pará.

Expansão do mercado de trabalho já vem perdendo fôlego desde o ano passado

Na série histórica de treze anos que vai de 2000 a 2012, elaborada pelo Dieese do Pará com base em dados do Ministério do Trabalho (Caged), os dois melhores anos foram exatamente 2010 e 2011, quando foram gerados, respectivamente, 60.058 e 56.111 novas vagas no mercado formal de trabalho. Outros exercícios com bom desempenho nesta área foram 2004 (53.506) e 2007 (44.598 novos empregos criados).

No ano passado, já como reflexo do desaquecimento da economia brasileira – e também paraense –, o resultado foi bem menos animador, com um saldo positivo de 38.328 postos de trabalho, inferior portanto aos registrados nos dois anos anteriores. Era uma tendência de queda que se acentuaria ainda mais no primeiro semestre deste ano, como se viu pelos números do primeiro trimestre. A expectativa, agora, é de que os números possam pelo menos ser estabilizados ao longo do segundo semestre, permitindo chegar ao final do ano, se possível, com um resultado similar ao do ano passado.

Não será uma tarefa fácil, porém, a julgar pelos dados relativos aos últimos doze meses. Se o ano cheio de 2012, mesmo com queda acentuada no nível de emprego em relação aos exercícios anteriores terminou com a abertura de quase 40 mil vagas formais, os números relativos aos doze últimos meses mostram que a tendência de queda se mantém, e de forma muito acentuada.

Tabulação feita pelo Dieese, usando sempre números oficiais fornecidos pelo Ministério do Trabalho, mostra que, entre agosto de 2012 e julho de 2013, houve 380.503 admissões no Pará contra 364.114 desligamentos, o que gerou um saldo positivo de 16.389 postos de trabalho – o equivalente a menos da metade, portanto, do total de empregos gerados durante o ano de 2012.Outro número que reforça o grau de dificuldades é o que resulta da comparação de desempenho entre o mês de julho deste ano e o mesmo mês do ano passado.

Em 2013, houve em julho um saldo positivo de 3.742 novos postos de trabalho, um número alentador quando comparado aos dos demais meses do primeiro semestre, mas ainda assim bem inferior ao de julho de 2012, quando o número de vagas abertas foi quase o dobro – exatamente 6.759.

(Diário do Pará)

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