Dona Maria Ferreira Sarges, 23, viveu ontem, em frente ao Hospital Pronto Socorro Municipal Humberto Maradei, o PSM do Guamá situação ultrajante. A mulher veio do município de Abaetetuba, nordeste paraense, para Belém em busca de atendimento médico emergencial para a filha, de 1 ano e seis meses, com quadro de broncopneumonia aguda. Mas a unidade não tinha pediatra. Elas já haviam passado pelo PSM da 14, antes de ir para o Guamá, e lá também não havia especialista para tratar da criança. As duas ficaram desamparadas em frente ao hospital por quase uma hora. Somente depois que a reportagem chegou ao local é que permitiram a entrada de mãe e filha.
A criança de Abaetetuba não foi a única recusada pelo hospital. Outra criança, de aproximadamente cinco anos, vinda de Moju, nordeste paraense, também peregrinou pelos PSM’s da 14 e do Guamá, mas só foi atendida com a chegada da imprensa. A criança apresentava fortes dores de cabeça e além da avaliação do pediatra precisava ser atendida por um neurologista.
Por volta de 14h45 a ambulância dirigida por Masterson Machado chegou ao Pronto-socorro do Guamá, transportando Maria Sarges com a filha no colo. A garota estava com dificuldades de respirar e chorava muito. “Nós já viemos do PSM da 14 e lá, a paciente nem desceu da ambulância porque logo disseram que não havia pediatra e mandaram que trouxéssemos para cá (PSM do Guamá)”, disse o motorista. No Guamá, a mãe com a filha também foram barradas na porta e um funcionário do hospital informava que não havia pediatra para atender. Em pé em frente à porta fechada, Maria permaneceu em silêncio com os olhos cheios de lágrimas. “Ela está desde ontem (domingo) com febre e falta de ar. Não teve atendimento para ela na cidade e aqui também não. Não sei o que fazer”, lamentava.
O motorista da ambulância de Moju, Francisco Quaresma, disse ter trazido uma criança para ser avaliada por um neurologista. “Como uma cidade como Belém não tem médicos pediatras para atender as crianças? Me expliquem!”, questionava.
Uma hora depois a filha de Maria Sarges foi avaliada por um clínico geral. O motorista entrou com elas no PSM e voltou indignado. “A assistente social disse na nossa cara que, por ela, a menina não ficaria aqui. O hospital não tem pediatra. Isso não é coisa que se diga”, frisou.
A Secretaria Municipal de Saúde justificou que a falta de pediatra ocorreu porque o que estava escalado para o PSM Mario Pinotti (PSM da 14), chegou atrasado e o que iria tirar plantão no PSM do Guamá faltou. Somente no final da tarde o hospital conseguiu substituto para o faltoso.
(Diário do Pará)
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