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Ensino de história afro nas escolas é desafio

Em vigor desde janeiro de 2003, a Lei 10.639, que torna obrigatória a inclusão da História de Cultura Afro-brasileira no currículo oficial da rede de ensino, ainda é um dos principais desafios quando se trata da luta pela igualdade racial no Brasil. Reuni

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Em vigor desde janeiro de 2003, a Lei 10.639, que torna obrigatória a inclusão da História de Cultura Afro-brasileira no currículo oficial da rede de ensino, ainda é um dos principais desafios quando se trata da luta pela igualdade racial no Brasil. Reunidos para avaliar os avanços e desafios enfrentados nos últimos dez anos sobre a temática, representantes de associações e de coordenações de Estado participaram da Conferência Regional de Promoção de Igualdade Racial na manhã de ontem.

De acordo com a coordenadora de Promoção e Igualdade Racial da Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh), Byany Sanches, a implantação da disciplina e o cumprimento da lei nas escolas ainda esbarra em questões religiosas. “As pessoas precisam entender que o Estado tem que ser laico. Hoje as escolas têm aula de religião e só ensinam o cristianismo”, aponta, ao afirmar que nem todas as Escolas do Pará já conseguiram seguir as orientações da lei. Segundo Byany, o principal objetivo da conferência regional, que também pretende preparar os participantes para a conferência Estadual – que acontece nos próximos dias 28 e 29 de agosto, em Belém -, é apontar novos desafios para a luta contra as desigualdades étnicas e raciais.

Integrante da Associação do Movimento Afro-descendente do Pará Mocambo, Domingos Conceição aponta outros aspectos que precisam ser vencidos no Brasil e no Estado. “Temos a questão da terra que ainda é vista como um tesouro, um patrimônio em qualquer lugar do planeta. A primeira questão tem a ver com os quilombolas rurais e, em uma segunda versão, com os quilombolas urbanos. Ainda assim, hoje nos vemos sepultando o Teodoro Lalor (liderança quilombola morto a facadas na última dia 19 em Belém)”, destaca. “Também temos desafios ligados à questão da saúde já que sabemos que 99% da população negra brasileira acessa, com dificuldade o Sistema Único de Saúde”.

Mas Domingos ve avanços nas políticas contra o preconceito. “Há dez anos não tínhamos nada, hoje, temos pelo menos cinco espaços de discussão de políticas públicas”, afirma, ao apontar a coordenações existentes em secretarias de estado, além, da Delegacia Especializada em Crimes de Discriminação, e um núcleo no Idesp (Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará).

(Diário do Pará)

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