O “Fantasma na Ópera” foi exibido ontem, na Praça da República, em frente ao Theatro da Paz, por integrantes do “Movimento Chega!”. O ato cultural de artistas locais, mais uma vez, criticou o XII Festival de Ópera. A estreia da noite era “O Trovador”, mas quem roubou a cena foi o boneco que simbolizava o secretário de Estado de Cultura, Paulo Chaves.
“O fantasma para nós é o Paulo Chaves. Ele é esse fantasma que produz ópera e ignora as demais culturas do Estado”, explica Cláudio Melo. O ato faz alusão à obra “O Fantasma da Ópera”, romance francês de Gaston Leroux, baseado no livro Trilby. Como sempre bem humorado, o protesto voltou a pedir a saída do titular da Secult.
Os artistas querem dialogar diretamente com o governador do Estado, Simão Jatene. “Ele já anunciou que existe essa possibilidade. Falta marcar hora e dia para isso”, afirmou Edyr Proença, baseado no que chamou de “fontes seguras”.
Para a atriz Marcule Oliveira, os lenços significam uma tentativa de acordo, de troca. “É isso que a gente vem pedindo. O governador precisa se posicionar. Esse secretário não nos representa”.
Música, filme, roda de carimbó, intervenções artísticas, capoeira e dança. Quem chegou junto teve a oportunidade de ficar mais próximo de diversas modalidades artísticas. Assim como os demais protestos, este foi bem ao estilo dos manifestantes. “São as armas que nós temos”, justificou Cláudio Melo.
“Chega de miséria cultural”, clamava uma das faixas pretas localizada em frente ao Theatro. “Chega de falta de segurança. Chega de falta de educação. Chega de falta de saúde. Jatene, a culpa é tua”, gritavam os manifestantes vestidos de preto.
Violência
Para o integrante do Movimento Chega!, Edyr Proença, a ausência de políticas públicas culturais reflete na constante violência que assola o Estado. “Um dos sintomas disso é a falta de cultura, que gera uma reflexão, sentimento”, acredita. “Queremos uma nova era na cultura paraense, que há 20 anos é tratada como algo privado”.
Os artistas, na entrada para a Ópera, falavam sobre a quantidade de teatros no Pará. “São 17 teatros para 7 milhões de habitantes de 144 municípios, em pleno século XXI”, informou o diretor Alberto Silva Neto.
Os manifestantes têm como principal pauta a saída de Paulo Chaves da Secult e não aceitaram Nilson Chaves, presidente da Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves, e o secretário especial de Promoção de Social, Alex Fiuza de Melo como intermediadores de diálogo com o Governo do Estado.
Em entrevista na abertura do XII Festival de Ópera do Theatro da Paz, questionado sobre as manifestações do Movimento Chega!, Paulo Chaves tratou a classe artística com desdém. “Não vamos falar de coisas que não valem a pena”, disparou. “Não me surpreende nenhum pouco”, disse Cláudio Melo.
(Diário do Pará)
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